sexta-feira, 9 de abril de 2010

Homenagem a Tatá

Se eu disser que minha netinha de um ano e cinco meses me fez assistir, cantar e coreografar com ela esta música mais de dez vezes, alguém acredita?
Pois é, agora passo a bola para o meu filho, que será o pintinho amarelinho da vez. Mas olha, se alguém quiser se arriscar a mostrar o vídeo para alguma criancinha, fique à vontade. Depois conte o resultado, mas não me culpe.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Nelly, querida Nelly

Existem pessoas que cruzam nosso destino de maneira surpreendente e definitiva tornando-se em nós, fundamentais. Conto:

Certo dia tendo eu um monte de idéias delirantes sobre a possibilidade de aplicar o conceito de contrato de comunicação, da Análise Semiolinguistica do Discurso, à literatura infantil e juvenil, tendo como hipótese a possibilidade de que, por meio dele, poderíamos entender parte do preconceito que paira sobre essa literatura, achei que talvez valesse a pena desenvolver essa pesquisa num doutorado. Nesse momento, a primeira pessoa que pensei que gostaria de ter como orientadora seria a professora Nelly Novaes Coelho, titular de Literatura Infantil e Juvenil da USP, que não me conhecia. Como não tinha a menor idéia de como encontrá-la, tentei um telefone da USP que achei na internet. Liguei e, quando disse que telefonava do Rio de Janeiro e gostaria de falar com a professora Nelly Novaes Coelho, a pessoa que atendeu começou a rir e passou o telefone para ela, que estava ao lado e, rindo, me contou que jamais vira tamanha coincidência, porque ela havia acabado de entrar naquela sala, aonde nunca ia, e que havia quinze dias que estava sem ir à Universidade. Quem conhece a USP sabe o quanto um encontro desses é improvável. Ela ouviu com toda atenção minhas idéias, na ocasião ainda bastante emaranhadas, e pediu que eu lhe enviasse um projeto. Pois é, foi assim que conheci a melhor orientadora que eu poderia sonhar. Nunca mais nos separamos e hoje é uma das maiores amigas que tenho.
Ela, que não para nunca, lançará no dia 14 de abril a quinta edição, revista e atualizada, do Panorama Histórico da Literatura Infantil/Juvenil, pela Amarilys, na Livraria Cultura - Conjunto Nacional, Loja das Artes, Avenida Paulista, 2.073
Para a Professora Nelly, do Brasil, nosso aplauso e gratidão.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Como formar leitores?

Reproduzo aqui parte de minha fala no Salão de Idéias da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O assunto do debate era a formação do leitor. Na ida pra lá fui pensando sobre o assunto e no hotel redigi o pequeno texto abaixo. Além de mim, participaram a Ana Maria Machado, a Marina Colasanti e o Bruno Lerner.

Sabemos que qualidade é fundamental na literatura e em toda e qualquer manifestação artística. No caso da literatura para jovens, qualidade implica ausência de didatismos, de ensinamentos, de lugares-comuns, de previsibilidade.
Faz parte ainda dessa qualidade levar o jovem leitor a refletir e a interpretar o mundo a sua volta. O escritor, como áugure, lê os sinais, mas é a competência com que os lê, interpreta, nomeia e estrutura através de um universo ficcional que define sua capacidade artística. Nisso consiste seu desafio.

Mas como fazer esse livro de qualidade ser desejado pelo estudante? Como tornar esse jovem um livrodependente? Acreditamos que o primeiro passo seja deixá-lo livre em suas escolhas. Aceitarmos sem ansiedade o seu gosto “duvidoso”, se esse for o caso, não nos arrepiarmos de pavor quando ele nos disser que sua leitura se limita a notícias sobre esportes nos jornais ou a manchetes funerárias. Aceitarmos sem julgar. Interessar-nos pelo que ele diz, deixando-o expressar seus sentimentos e idéias, tornando-nos seus parceiros e ouvintes. Abrir um canal de comunicação com esse aluno. Ir aos poucos mostrando a ele as obras que vemos como sendo de boa qualidade, não como donos da verdade e portadores de infalível gosto superior, mas com a humildade de quem demorou muito a chegar a esse estágio atual de vida e de leitura.

Tentarmos sinceramente colocar-nos no lugar dele, entendendo suas dificuldades, imaginando-nos com a idade dele, com um universo fragmentário de informações à volta, e muitas vezes sem condições de acesso ao livro, bombardeados pelas solicitações dos meios audiovisuais, a que se veio juntar recentemente a internet, atendidos (ou desatendidos) por um sistema educacional confuso, que em muitos aspectos reflete uma sociedade igualmente confusa. Sem falar no fato de que o jovem, dentro desse quadro, está ainda sem opinião formada sobre o mundo.

É natural que as escolhas dele não sejam as melhores. Contribuamos então com nossa paciência para que sejam provisórias, dividindo-nos com ele. Dessa forma o conquistaremos. Depois ofereçamos-lhe um livro atraente, sobre um tema que ele, jovem leitor, considere atraente, seja uma aventura espacial ou um livro de terror, de magia, de amor... não importa. O fundamental é a qualidade do texto oferecido.
Por essa qualidade, entenda-se a capacidade de levá-lo a observar e pensar o que antes não tinha percebido, a se emocionar, abrindo diante dele tantas possibilidades interpretativas, que se sinta provocado a descobrir novos sentidos.

Mas como os professores podem ser auxiliados nesse imenso desafio de formar leitores? Cremos que antes de tudo é preciso ouvi-los, mas mais que isso é preciso vê-los de perto, indo até a escola, observando suas dificuldades no dia-a-dia na sala de aula. Sem dúvida é uma tarefa hercúlea, mas não impossível. E continuar cada vez mais a oferecer-lhes bibliotecas, oficinas, cursos de reciclagem e, acima de tudo, livros.
Desse modo, acredito que possamos estar criando condições propícias para isolar e desenvolver o vírus EAL (eu amo ler), que uma vez inoculado contamina de forma irreversível.

terça-feira, 23 de março de 2010

Há futuro para a escrita?

No dia 5 de abril de 2010, segunda-feira, das 19h30 às 22h, no Memorial da América Latina - Biblioteca Latino-americana Victor Civita será lançado o livro A Escrita - Há futuro para a escrita? de Vilém Flusser. Na ocasião haverá a mesa-redonda "A ESCRITA DE FLUSSER", que contará com estudiosos como Gustavo Bernardo Krause (UERJ), Norval Baitello Jr. (PUC-SP), Pablo Gasparini (USP), Murilo Jardelino da Costa (UNINOVE – FASB).

Fundação Memorial da América Latina
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 - Portão 06
Metrô Barra - São Paulo - SP.
(11) 3823.4600 - http://www.memorial.sp.gov.br/

segunda-feira, 22 de março de 2010

Hoje é o dia mundial da água

Segundo a ONU, a cada ano morrem mais pessoas por doenças relacionadas a água contaminada do que por qualquer forma de violência, incluídas as guerras. Atualmente morrem 1,8 milhôes de crianças menores de cinco anos por esta causa, uma a cada 20 minutos. As vítimas dessas doenças ocupam a metade dos leitos dos hospitais de todo o mundo.
Quando poderemos comemorar o contrário?
Aconselho uma visita ao site da UNEP
http://www.unep.org/

sexta-feira, 19 de março de 2010

Revendo Kiriku

Vale relembrar um pouco deste ótimo trabalho de Michel Ocelot, que trouxe para a animação a lenda de Kiriku. Acho muito bom o fato de na versão original do filme, falado em francês, as vozes dos personagens serem feitas por atores africanos e nas músicas serem utilizados instrumentos como balafon, ritti, cora, xalam, tokho, sabaar e o belon, tradicionais da África.
Lembro que quando fizemos a gravação do CD do livro Brasileirinho - História de Amor do Brasil ocorreu algo semelhante. O Papete, que fez toda a percussão, levou para o estúdio instrumentos fantásticos, produto de suas pesquisas.
Na imagem abaixo, um xalam, instrumento tradicional africano.


Para quem não se lembra, a sinopse do filme é a seguinte:

¨Na África Ocidental, nasce um menino minúsculo, cujo tamanho não alcança nem o joelho de um adulto, que tem um destino: enfrentar a poderosa e malvada feiticeira Karabá, que secou a fonte d'água da aldeia de Kiriku, engoliu todos os homens que foram enfrentá-la e ainda pegou todo o ouro que tinham. Para isso, Kiriku enfrenta muitos perigos e se aventura por lugares onde somente pessoas pequeninas poderiam entrar.¨
O filme é legendado.



quinta-feira, 18 de março de 2010

A vida secreta de Merlim

A Heloisa Prieto convida para o lançamento de seu novo livro.

Clique no convite

quinta-feira, 11 de março de 2010

sábado, 6 de março de 2010

PhoneBook

Com criatividade os japoneses conseguiram esta bela união.


terça-feira, 2 de março de 2010

Já em casa!

Hoje falei com alguns dos amigos que chegaram de madrugada ao Brasil. Estão cansados, mas bem. É uma alegria ver todos de volta.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Amigos no terremoto do Chile

Meu primeiro sentimento diante da notícia de terremoto no Chile foi de espanto, profunda tristeza e déjà-vu. No dia anterior à partida de meu editor e amigo Sérgio Alves (Ed. Larousse), lamentei com ele meu total esquecimento do Congresso Ibero-americano de Literatura Infantil, de que pretendia participar. Não é comum que eu me desligue tanto das coisas assim, por isso fiquei bastante chateada. Como não havia mais nada que pudesse ser feito, combinamos a Feira de Bologna, agora em março. Assim que soube da notícia, tentei falar com ele e com outros amigos que foram para o evento. Não consegui. Recebi notícias deles de diversas fontes. Estão bem, dentro das possibilidades. A Ângela Lago está doente, segundo o Peter O.Sagae, mas medicada. A comunicação é quase impossível.

Veio forte em minha mente o desespero que passei na primeira vez que fui ao Japão, em 1982. Tinha ido participar de um congresso de jovens e, na véspera do retorno ao Brasil, houve um terremoto. Nunca em minha vida havia sentido tão completa impotência diante do desconhecido. Estava sozinha, longe de minha família e do meu país, no 35. andar de um hotel em Tóquio, quando começou o terremoto. Arrumava minhas malas, pois retornaria ao Brasil no outro dia pela manhã, quando o prédio começou a sacudir e a estalar e os objetos a sair do lugar e cair. Entrei em pânico e saí descalça para o corredor, sem saber o que fazer, enquanto luzes vermelhas se acendiam. Num inglês/japonês, que mal compreendia, avisavam que não entrássemos em pânico que o hotel estava preparado para essas situações. Ele podia até estar, mas eu não. Até hoje não lembro como fui parar no térreo ao lado de pessoas enroladas em toalhas, outras de pijamas, yukatas etc. A coisa que mais me impressionou foi o barulho, que parecia vir do centro da terra. Outros tremores menores aconteceram após algum tempo. Fui até o bar do hotel e pedi saquê. Bebi até criar coragem de voltar para o quarto. Não houve vítimas no Japão, apenas prejuízos materiais inevitáveis. No outro dia, voltei para o Brasil. Lembro o pensamento sombrio que fiz quando sobrevoamos a Amazônia: já posso morrer, estou em casa.
Penso que uma das grandes coisas que o sofrimento nos dá é a possibilidade de potencializar nosso senso de humanidade, qualificando-nos como pessoas. Olhando desse viés, é que consigo abrir espaço para a gratidão. Estou aqui aguardando a chegada de meus amigos, que, tenho certeza, virão maiores do que quando partiram.
Reproduzo o depoimento que a Ana Maria deu para a Folha de São Paulo sobre os momentos que passaram e ainda passam no Chile.

ANA MARIA MACHADO
ESPECIAL PARA A FOLHA, EM SANTIAGO

Espanto e medo, as duas primeiras sensações. Ainda dormindo, sinto a cama balançar, deslizar e trepidar enquanto algo me sacudia como num pesadelo. Ao abrir os olhos, no escuro, sem entender o que estava acontecendo, de repente me ocorre que, se tudo esta tremendo assim, deve ser um terremoto. Entrava uma fresta de luz por baixo da porta, fui até lá e abri.
A essa altura, tudo já sacudia muito forte. Barulho de vidros quebrados e coisas caindo, estalos dentro das paredes. Do outro lado do corredor, Jorge Eslava, escritor peruano e companheiro do mesmo congresso, segura-se no umbral de sua porta, me chama pelo nome e me diz: "Este é dos fortes..."
Pergunto-lhe: "Que faço?" "Isso mesmo que estas fazendo. Fica aí. Assim que parar, descemos. Teu sapato está por perto? Se estiver, pega antes de descer para não se cortar se tiver vidro quebrado no chão."
Quando o tremor diminui, sigo as instruções e ainda pego um casaquinho que estava a mão. Pelas escadas vamos encontrando outros hóspedes descendo. Reboco caído pelo chão, teto de gesso despencado, papel de parede solto, quadros e abajures derrubados. No saguão do hotel, funcionários nos instruem a sair e esperar lá fora. Longe do prédio para não sermos atingidos por algo que despenque. Procuro os amigos no meio da pequena multidão.
Vejo Marisa enrolada no lençol. Ambas assustadas, nos abraçamos. Os outros vão chegando, igualmente com medo e querendo abraços. Beth, Lygia, Dolores, Yolanda, Sylvia, Daniel, Antonio, Sérgio, Tania, Susana, Angela. Conferimo-nos mutuamente. Muita confusão. A rua toda escura, só o gerador do hotel com suas luzes de emergência. Carros saem com faróis acesos dos estacionamentos subterrâneos, todos se afastam para deixar que escapem para longe. Pelo asfalto, veículos passam muito rápido.
Parece que todos os cachorros do mundo latem ao mesmo tempo. Sirenes de bombeiros, ambulâncias. Barulho de batidas de automóveis. Mais outra em seguida. E mais outra. Claro: todos fogem e os sinais não funcionam.
Ficamos ali em pé, em roupa de dormir. Um ou outro chegou a se vestir completamente antes de descer. Os funcionários do hotel servem água. A equipe de acolhimento do congresso nos acalma, conversa, dá instruções. Entre elas, daí a umas duas horas, nos dizem para entrar. Insistem. Aos que estão com medo, explicam: estão começando os assaltos. Vemos os bandos rondando. Entramos no saguão onde vamos ficar o dia inteiro, prontos para sair cada vez que começar novo tremor. São muitos, mas felizmente todos mais fracos.
Aos poucos, cada um enfrenta o medo, volta ao quarto, pega algumas coisas, muda a roupa, faz seu kit de sobrevivência que passa a carregar pra todo lado desde então -documentos, carteira, uma muda de roupa básica, telefones celulares, óculos.
Só o que se quer então é falar com a família, dar notícias. A comunicação é muito precária. Acesso intermitente a televisão. Telefones, internet e celulares não funcionam. Quem tem blackberry compartilha com todos, quem consegue falar com o Brasil pede para dar recado aos parentes dos outros.
Durante todo esse primeiro dia é assim. Estreita-se uma rede de solidariedade e sentido de equipe.
Eu deveria ir para o aeroporto duas horas depois, voltando para casa. Mas logo se constata que vai ser impossível que esteja aberto. Até agora não se sabe ao certo quando abrirá. Tudo é incerto e precário. Mas lembro de meu pai, quando eu era criança: eu devia era rezar para o meu anjo da guarda e agradecer. Estou bem, entre amigos, não aconteceu nada a nenhum de nós. Triste consolo, em meio a um país desolado, atingido pela dor.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O perigo de contar sempre a mesma história

A Adriana Lisboa enviou-me por e-mail a dica deste vídeo da escritora nigeriana Chimamanda Adichie. Vale a pena assistir. No “view subtitles” pode ser escolhido o idioma das legendas.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Excelente medida

Mais de 15.700 e-books piratas foram retirados da internet entre
agosto de 2009 e janeiro de 2010. A ação foi uma iniciativa da
Associação Brasileira dos Direitos Reprográficos (ABDR), responsável
pela campanha “Combate à Pirataria Digital”.

Em 2009, a campanha ganhou departamento próprio em uma parceria feita entre a ABDR e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Segundo relatório das organizações, a editora que teve maior número de edições publicadas ilegalmente foi a Record.

As denúncias de downloads piratas de livros podem ser feitas por meio dos endereços copyright01@abdr.org.br e copyright02@abdr.org.br.

Fonte: http://olhardigital.uol.com.br/digital_news/noticia

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Era assim o Corcovado

O jornalista Márcio Pascoal enviou-me por e-mail fotos dos arquivos da Fundação Andrea Castro do topo do Morro do Corcovado antes da inauguração, em 12 de outubro de 1931, da estátua do Cristo Redentor. Sou encantada com os registros de marcas do tempo. Já postei aqui no blog a história dos bairros do Rio.








sábado, 23 de janeiro de 2010

Metaficção

Novo lançamento do Gustavo Bernardo.

Clique no convite.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Lançamento

Está chegando O Espelho. O livro sai pela Ed. Prumo com ilustrações de Márcia Széliga.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Rudá

Conheço um poeta que não publica nunca. Seus versos despretensiosos se escondem por vezes na borda de um copo de vinho, por vezes no silêncio de um guardanapo, por vezes num olhar desconcertante. Rudá, fica sendo seu nome.
Humanidades ...

Lobo só mata pra comer

ou pra se defender

e não chuta cachorro morto.


Quintal ...

Meu quintal tinha um galinheiro

um milharal,

um barracão

um jardim de moças-e-velhas cheio de borboletas.

Um verdadeiro latifúndio.


Na flor da idade ...

Nas últimas quatro décadas

muita gente envelheceu.

Eu não.

Não sou velho nem anacrônico.

Sou acrônico.

Pairo por cima do tempo,

enquanto ele me devora...

suavemente...

(Rudá)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Kseniya Simonova

Chego de viagem, depois de um bela temporada sem abrir e-mails, e encontro a boa dica do Léo Cunha. Um vídeo de uma jovem e brilhante ilustradora ucraniana, que faz animação com areia, ao vivo, representando a invasão da Ucrânia, na Segunda Guerra. Vale a pena assistir.


sábado, 19 de dezembro de 2009

Obra completa de Machado de Assis digitalizada

O projeto de digitalização das obras de Machado de Assis é resultado da parceria firmada entre o MEC e o Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Linguística (NUPILL) da Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Estadual de Londrina e Universidade Federal do Piauí. Para ter acesso à obra completa de Machado de Assis e imagens da época clique no endereço abaixo:
http://www.machadodeassis.ufsc.br/

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Portal Leitura Crítica

Recebi um e-mail do Professor Ezequiel Theodoro da Silva contando que conseguiu realizar seu sonho de criar o PORTAL LEITURA CRÍTICA, que tem por objetivo beneficiar a leitura brasileira, os professores, o ensino e as escolas. O Professor Ezequiel é Livre-Docente em Metodologia de Ensino pela Faculdade de Educação da Unicamp. Abaixo o endereço para conferir.
http://www.leituracritica.com.br/

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Transbordamentos da Estética Contemporânea

Entre os dias 12 e 14 de janeiro de 2010, acontecerá o " 1º Simpósio Internacional de Estudos Estéticos: Transbordamentos da Estética Contemporânea", na UERJ, resultado de um Convênio de Cooperação Internacional firmado entre o Instituto de Letras e a Universidade de Paris 8. A entrada é franca, as inscrições poderão ser efetuadas 15 min. antes do início do evento, que concederá certificados a todos os participantes.
1º Simpósio Internacional de Estudos Estéticos: Transbordamento da Estética Contemporânea

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Bartô em Glória!

Quando escrevi o Emmanuela, a Glória Pondé, queridíssima amiga, estava morando em Paris. Por e-mail enviei o texto para ela dar uma lida, como sempre faço com alguns grandes amigos. A resposta dela virou a quarta capa do livro. Tempos depois, num acidente cirúrgico estúpido, perdemos a amiga. Brilhante e sempre preocupada com a literatura infantil e juvenil, a Glória hoje é nome do prêmio criado pela Biblioteca Nacional para reconhecer os melhores textos produzidos para crianças e jovens. Para minha alegria, este ano, outro queridíssimo amigo é o vencedor. Mas não é vencedor apenas em qualidade literária, é um vencedor em toda a extensão que a palavra permite e não permite. É o Tempo de Voo do nosso Bartolomeu Campos de Queirós, ou simplesmente Bartô.

Antonin Artaud em Leituras Teatrais

Mais um bom programa oferecido pela Aliança Francesa. Dia 11/12, às 20h, em Botafogo. Vale a pena comparecer.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Interrogação e Conexões

Amanhã e depois, no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, Av Pasteur, 250, Urca, acontece o II Conexões Itaú Cultural e o V Encontros de Interrogação. As atividades fazem parte do programa geral de literatura do Itaú Cultural. Participam pesquisadores estrangeiros e escritores brasileiros.

II Conexões Itaú Cultural - Programação

01.12 - terça-feira
9h30 - PESQUISAR A LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA – PADECER NO PARAÍSO?
O mapeamento da literatura brasileira no exterior revela que a maioria dos entrevistados trabalha com literatura brasileira contemporânea, especialmente a publicada a partir dos anos 80. Esta mesa discute as dificuldades práticas – e teóricas – enfrentadas pelos estudiosos da produção literária brasileira recente. Com HORST NITSCHACK, Leonardo Tonus, MILTON HATOUM, PEDRO MEIRA MONTEIRO - Mediação Beatriz Resende


11h30 - TRADUZINDO O BRASIL – LIMITES E POSSIBILIDADES
Os tradutores desempenham um papel essencial na difusão da literatura brasileira no exterior. O contraste entre a dinâmica do mercado editorial e as políticas públicas de apoio à tradução marcam a discussão sobre as dificuldades e o apoio que deveria ser prestado a esse trabalho. Com CLIFF LANDERS, MOACYR SCLIAR, Pal FErÉnc, RODOLFO MATA - Mediação Felipe Lindoso


02.12 - quarta-feira
9h30 - DESCOBRINDO O BRASIL – REVISTAS LITERÁRIAS

As revistas literárias têm um papel importante no estado da literatura brasileira. Não apenas são o veículo onde os estudiosos apresentam em primeira mão seus trabalhos, como também publicam traduções e promovem o intercâmbio entre os próprios pesquisadores. Com CARLOS PAULO MARTINEZ PEREIRO, DARLENE SADLIER, LEILA LEHNEN, PEDRO SERRA - Mediação Claudiney ferreira


11h30 - AS LEITURAS DA LITERATURA BRASILEIRA NO EXTERIOR
A publicação da literatura brasileira no exterior envolve um conjunto de atores. Em primeiro lugar, os autores. Mas sem os agentes literários e os editores o trabalho não chega às mãos dos seus destinatários finais, os leitores. Como se percebe, se lê e se vende literatura brasileira no exterior? Com CARMEN CORRAL, Lucia Riff, LUIZ RUFFATO, ROBERTO VECCHI - Mediação João Almino


Encontros de Interrogação - Programação


01.12 - terça-feira
15h30 - Criação Poética e Ficção da Inspiração ou O “poeta fingidor” de Fernando Pessoa é um artífice que, como queria Valéry, “transforma o leitor em inspirado”?
Que resposta se pode dar hoje à antiga e, por sua recorrência, sempre atual questão sobre a gênese do trabalho poético? Valores antagônicos como inspiração e labor textual podem ser estratégias que atendem às expectativas da crítica e dos leitores? Ao se expor em saraus e festas literárias, o poeta busca adicionar um valor testemunhal ao seu trabalho? com Frederico Barbosa, Marco Lucchesi e Micheliny Verunshk - mediador Wilberth Salgueiro


17h30 - Criação e Crítica Literária ou Existe literatura sem reflexão sobre os processos criativos consagrados pela tradição e pela tradição da ruptura?
O escritor contemporâneo cria pensando em sua inserção nos recortes desenhados pela crítica? Organizar antologias, escrever atendendo a parâmetros acadêmicos e publicar originais em revistas de criação e crítica seria uma forma de “controle da recepção” – e, no caso de escritores-críticos, de reivindicar modos de leitura de sua própria produção? com Altair Martins, Heloisa Buarque de Holanda e Ítalo Moriconi - mediação Claudia Nina


19h30 - Criação e Confissão ou Como a ficção transtorna a noção de documento, de registro biográfico e da própria história da literatura?
Em que momento o caráter memorialístico de contos e romances se transforma em imaginação? Existe ficção pura, sem enraizamento na história pessoal? E como esse enraizamento coincide com o enraizamento na história literária e suas rubricas (literatura gay, ficção pós-moderna, regionalismo, memorialismo)? Com Arnaldo Bloch, Ronaldo Correia de Brito e Silviano Santiago - Mediação Beatriz Resende


02.12 - quarta-feira
15h30 - Criação e Narrativa ou Como o enredo ficcional parte da experiência pessoal sem deixar de se afirmar como ficção?
O escritor decanta sua experiência na literatura ou escreve contra ela, num esforço de esquecimento que faz o triunfo da ficção? A vida dos outros e as vivências individuais determinam a invenção? O escritor “escolhe” acasos e percalços (pessoais, profissionais) que dêem lastro à ficção, que confiram ao texto a autoridade do vivido? Com Adriana Lisboa, Marçal Aquino e Michel Laub - Mediação Flávio Carneiro


17h30 - Criação e Edição ou A intervenção do editor sobre o manuscrito altera o estatuto do autor?
Como o editor edita? Os escritores modificam seus originais a partir do olhar crítico de seus editores? Que critérios (literários, mercadológicos) determinam tais intervenções? Existe paralelo entre o editor de livros e a figura, cada vez mais influente (e midiática), do curador de artes visuais? com Eduardo Coelho, Nelson de Oliveira e Paulo Roberto Pires - mediação Manuel da Costa Pinto


19h30 - Criação, Leitura e Autoria ou Como o escritor identifica tendências e problemas com as quais sintoniza sua literatura?
O escritor leva em conta a existência de questões e gêneros que estão na ordem do dia? Ao flertar com a literatura confessional ou com a literatura policial, o escritor aceita as regras do jogo ou as usa para burlar a expectativa do leitor? A opção por um gênero dilui a responsabilidade autoral ou desafia sua singularidade? com Cristovão Tezza, Ana Paula Maia e Ferréz - mediação Manuel da Costa Pinto

A entrada é franca.

As mesas serão transmitidas ao vivo nos endereços: http://www.forum.ufrj.br/ e http://www.itaucultural.org.br/

sábado, 28 de novembro de 2009

Leo...Leo...

O Leo é daquelas pessoas que já se olha gostando. Esse gostar se ratifica num trabalho literário primoroso e numa reflexão cristalina, mas que vem, creio eu, entre outras coisas, pela disposição para sentir inteiro, despudoradamente.

Estávamos em Porto Alegre assistindo a palestra do patrono da Feira do Livro deste ano, o escritor Carlos Urbim, que ia, de maneira simples e emocionada, apresentando suas observações e percursos literários e, ao mesmo tempo, sem que eu pudesse controlar, minando minhas resistências. Eu, que sempre me esforço para não chorar em público, no que nunca sou bem sucedida, vi que, mais uma vez, não estava conseguindo conter a montoeira de água que ameaçava desabar me inundando inteira.
Timidamente comecei a represá-la com os dedos, desviando o curso dos lábios para um canto qualquer mais escondido do rosto, mas os olhos traiçoeiros iam se escarlatiando incontrolavelmente. Nos ruídos finais dos aplausos, levantei-me para tentar abraçar a alma do Carlos Urbim. Foi aí que me deparei com o Leo, vermelho, de olhos de alvorecer, cara inchada de criança que de não saber o que fazer com a alegria, simplesmente deixa que ela flua livremente alma afora. Falei, me amparando cúmplice, Leo, você também está chorando? e ele simples: é, eu sou assim, eu choro mesmo.
Pois é, esse é o meu querido amigo Leo, com quem aprendi o poder do mesmo.

Abaixo, um video para conhecer a superfície dele. Mais? leiam, leiam...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Do palco à tela

Mais um belo convite da Aliança Francesa.

Entrada franca.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Animação: O melhor curta metragem

Abaixo dois dos indicados ao oscar de melhor animação. São eles: "A Matter of Loaf and Death", de Nick Park e "The Cat Piano", de Eddie White e Ari Gibson



domingo, 22 de novembro de 2009

Criança, a alma do negócio!

Sugiro que assistam a este documentário do Instituto Alana - Criança, a alma do negócio (Brasil) enviado por Márcia Cardeal.

Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?

Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumas. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.


Direção: Estela Renner
Produção Executiva: Marcos Nisti
Maria Farinha Produções
http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=8&pid=40

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Consciência Negra

Os carregadores de água, de Rugendas, comentado pelo Prof. Dr. Carlos Eugênio Libano Soares, da Universidade Federal da Bahia.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

PROALFA - Ciclo de Estudos em Alfabetização

O PROALFA convida a todos para o XIV ciclo de estudos em alfabetização com o tema “Gêneros textuais; conceitos, ensino e produções escolares”.

O evento ocorrerá na UERJ dia 23/11/09 de 18 às 20h, auditório 93, 9º andar bloco F.
O tema da palestra será “Gêneros Textuais e ensino de língua materna: perspectivas teóricas e práticas”

As inscrições podem ser feitas pelo e-mail proalfa.uerj@gmail.com , o curso é gratuito e oferece certificado.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Limonaire e Debate

Por um lado, a Aliança Francesa convida para o espetáculo O Realejo de Paris, em que Jean Marie Olive traz a limonaire à manivela de 1903, que reproduz o som de canções francesas populares, relembrando as cenas de Paris dos anos 20 a 50 do século XX.
A limonaire é uma caixa de música onde se insere um cartão em papel perfurado (o papel-música) e que origina sons que lembram os carrosséis de um parque de diversão.

Por outro, a Biblioteca Nacional convida para o Leitura em Debate. Ambos com entrada franca. Ficam aqui as sugestões.

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domingo, 8 de novembro de 2009

Revendo os amigos

É a sétima vez que participo da Feira do Livro de Porto Alegre. Dispensável dizer o quanto gosto. Posto o Guaíba, em belíssima tarde, e duas mesas-redondas que coordenei. A primeira, com Rosinha Campos e Renato Alarcão. A segunda, com Vera Aguiar e Luiza Motta. Da oficina de produção literária e crítica, que acabou virando minicurso; da entrevista para a TVE, num estúdio ao ar livre em plena Feira; do imperdível Boscato e dos inúmeros amigos... guardo também o divertido gosto da saudade.





domingo, 1 de novembro de 2009

Asterix faz 50 anos!

Mais uma brilhante criação de René Goscinny, autor do Le Petit Nicolas, desta vez em parceria com Albert Uderzo.

Um vídeo para comemorar.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dia Nacional do Livro

O dia 29 de outubro foi escolhido o Dia Nacional do Livro em homenagem ao aniversário da fundação da Biblioteca Nacional que é a maior biblioteca da América Latina.

C'est aussi l'anniversaire d'Oui Oui

Amadíssimo pelas crianças francesas, tanto quanto o Petit Nicolas,
Oui Oui completa 60 anos! Parabéns a Enid Blyton!

Um video para comemorar.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

LER É TUDO: PARTICIPE DESSA IDÉIA


Inicio hoje a minha campanha LER É TUDO: PARTICIPE DESSA IDÉIA. Os cinco primeiros leitores a enviarem e-mails receberão um de meus livros em casa ou no endereço que desejarem, autografado e gratuitamente.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mapa do tesouro

Excelente fonte de pesquisa é o Mapa do Brincar da Folha On Line.
"O Mapa do Brincar é uma iniciativa da Folhinha, suplemento infantil do jornal Folha de S.Paulo. Lançado em maio de 2009, o projeto convidou crianças de todo o país a contar quais são suas brincadeiras de hoje. Um dos objetivos era descobrir se há semelhanças e diferenças entre o brincar das várias regiões do país". Vale a pena visitar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Conversa boa!

Fui aluna do Silviano Santiago no Mestrado da PUC/RJ e colega de turma do Italo Moriconi nesse mesmo Mestrado. O Gustavo Bernardo conheci depois e virou amigo de infância. Todos queridos e muitíssimo competentes. É um reencontro que não posso perder e sugiro a quem possa que não perca também.

Clique em cima para ampliar

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ópera na tela

Fica aqui a sugestão.

Clique para ampliar

domingo, 4 de outubro de 2009

Mercedes Sosa

Para sempre, Mercedes!

sábado, 3 de outubro de 2009

Ajude a mudar

Entre outras coisas, é preciso parar com o uso de animais em testes.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

As fronteiras entre a literatura infanto-juvenil e a literatura adulta

Reproduzo esta reportagem, postada pelo blog "Roedores de livros" e publicada na revista Carta Capital, edição 562, de 09 de setembro, de autoria de Rosane Pavam, que reúne teóricos, escritores, ilustradores e editores de literatura infanto-juvenil em torno de um tema polêmico: as fronteiras entre a literatura infanto-juvenil e a literatura adulta.

OS PEQUENOS LIVROS DAS GRANDES COISAS

Os títulos infanto-juvenis crescem, mas não se dedicam só aos jovens.

Por Rosane Pavam.

O menino ficou amigo do passarinho, mas o passarinho morreu na varanda. Outro garoto matou o bichinho, que agora pia em seu coração. Estes argumentos carregados de violência e sexualidade orientam os livros de Bartolomeu Campos de Queirós e Wander Piroli. Suas histórias, intituladas Até Passarinho Passa (Moderna) e O Matador (Leitura), abrigam-se sob a categoria infanto-juvenil. Mas quem garante que um adulto não precisará delas?

A literatura infanto-juvenil é o mais sério caso enre as ficções brasileiras. Ela ultrapassa as fronteiras etárias e orienta a produção adulta. Faz seis décadas que somos aproximadamente o mesmo leitor desde a adolescência. Ou nos infantilizamos a ponto de exigir, dos escritores, a linguagem do início de nossas vidas, ou os jovens cresceram rápido demais e invadiram o terreno da imaginação adulta.

“Quando eu tinha 12 anos, não lia literatura infanto-juvenil. Eu lia Tchekov”, afirma Nelly Novaes Coelho, a mais respeitada teórica brasileira a abordar essa produção. “Depois de O Reizinho Mandão, da Ruth Rocha, disse ao meu marido que a ditadura acabaria logo, já que até a literatura juvenil zombava dela”, conta. Ela leu o livro em 1977 e o AI-5 foi revogado no ano seguinte.

Nelly crê que toda literatura obedece a um impulso criador ligado ao erotismo. Se o sexo está cerceado na sociedade, como no Brasil no início do século XX, a elaboração mental cresce. Solto o erotismo, não é preciso recorrer à extrema organização de ideias para se relacionar com o mundo.

“A literatura infantil hoje, ao contrário daquela de 40 anos atrás, está cheia de besteirol, mas deixa estar”, raciocina Nelly. “Vivemos uma transição esperando que um novo sistema, tão eficiente quanto aquele racional e literário, se imponha. A criança de hoje tem um mundo mágico à sua disposição, fundado em tecnologia. Vai ler por que? Na minha infância, havia muita literatura, mas a magia se reduzia ao Ford Bigode estacionado na rua.”

Para Nelly, de 87 anos, não se pode pensar em literatura, hoje, senão como uma tradição necessitada de incentivos escolares. Mas ocorre de os próprios professores não a conhecerem. A capacitação desses profissionais toma um enorme tempo na vida de um escritor como Luiz Raul Machado, que orienta grupos no Rio. É preciso que os professores aprendam a gostar de ler, ou a literatura morrerá, ele diz

A batalha pela aquisição de leitores não tem trégua também no mercado editorial, já que as vultosas compras governamentais de títulos infanto-juvenis sustentam muitas casas publicadoras. A Câmara Brasileira do Livro informa que entre 2007 e 2008 os títulos para crianças com até 10 anos cresceram 14,02%. A partir de 11 anos, 41,88%. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura do Brasil, de 2007, é a mãe de família a principal responsável pela indicaçào dos livros a seus meninos com até 10 anos. Na faixa etária entre 11 e 13, a criança lê principalmente o que a escola exige. A partir dos 14 anos, escolhe. Mas lê menos do que antes.

Há quem ligue a perda desse leitor à simplificaçào promovida por educadores e editoras. “O conceito infanto-juvenil é questionável”, acredita Elisabeth Maggio, autora de O Senhor dos Pesadelos. “A ideia contida no conceito é que os jovens terão uma literatura mais fácil e digerível para estimulá-los a ler e que, com o tempo, farão a transição para uma literatura adulta. Mas nem sempre acontece assim. Os leitores acabam estacionando na tal da literatura de transição, e quando têm de ler o Machado de Assis pela primeira vez, é um choque.

”Milu Leite, finalista do Prêmio Jabuti por O Dia em Que Felipe Sumiu, condena a pressão por enquadrar a literatura como “mais uma maneira” de educar as crianças. “Essa pressão vem de algumas editoras, pais e escolas, não das crianças, os leitores.” Bartolomeu Campos de Queirós tem sua visão particular desse universo. “A sociedade confunde infância com o superficial, o raso, o vazio. Mas a infância é o lugar das perguntas, dos medos, das dúvidas, das alegrias, mas também das tristezas.”O Nobel de Literatura Isaac Bashevis Singer, autor de Histórias para Crianças (Topbooks), enumerou em 1978 suas razões para escrever para esse público. “Na época de hoje, quando a literatura para adultos se deteriora, bons livros infantis são a única esperança, o único refúgio. Muitos adultos leem e apreciam livros infantis. Escrevemos não só para crianças como para seus pais. Eles, também são crianças sérias."

Responsável por títulos destinados às escolas, Maristela Petrilli de Almeida Leite, da Editora Moderna, diz não discriminar temas, embora oriente a linguagem destinada a seus leitores. “O texto tem de ter qualidade e ser prazeroso. Não cai bem o palavrão. Se puder substituí-lo por outra expressão, o autor deve fazê-lo.”

Lilia Schwarcz iniciou, em 1992, a publicação de infantis pela Editora Companhia das Letras. Ela reconhecia a seriedade desse mercado e das publicações da área no Brasil, mas, mãe de crianças, achou por bem dar a face de sua editora aos títulos para jovens. Publicou os livros de Babette Cole, apresentou autores como Dr. Seuss, pediu ao ilustrador brasileiro Odilon Moraes para desenhar sem cores um clássico como Pinóquio, de Carlo Collodi. As ousadias ampliaram seu público.

Em uma livraria, títulos como esse Pinóquio ou Av. Paulista, de Carla Caffé, que integra a coleção Ópera Urbana, da Cosac Naify, podem confundir um leitor. Ele será uma criança se achar que aquele livro infanto-juvenil lhe foi destinado?
A confusão não ocorre por acaso. Em alguns casos, é estimulada. A editora Isabel Lopes Coelho quer que os livros da Cosac diluam as fronteiras entre adultos e pequenos. Não há outra maneira, a seu ver, de formar um bom leitor. Os livros da editora são especialmente pensados sob o aspecto do design, como se as categorias etárias se distinguissem também pelo repertório gráfico, absorvendo elementos da arquitetura ou do cinema conforme a idade avança.

“A literatura não tem destinatários, mas remetentes”, defende o autor Odilon Moraes, que ilustrou O Matador, obra capaz de entender a criança, antes de se adequar a ela. Moraes diz que é preciso derrubar o antigo conceito de livro infanto-juvenil, no qual a palavra manda. “A ilustração também é escrita, ajuda a contar uma história, seja qual for seu público”, ele defende. Em razão disso, crê que um novo conceito, o do Picture Book, livro com imagem, já muito comum entre crianças e adultos japoneses, chega para ficar. Nesta produção, concebida à moda de um roteiro cinematográfico, estaria contida a nova escrita para um vasto público, não só infantil. Seria este o sistema a substituir o racional e literário, esmagado pelo Ford Bigode de Nelly Novaes Coelho? O tempo, reizinho mandão, dirá.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vamos votar!!!

O filme O coração às vezes para de bater, de Maria Camargo, baseado no livro da Adriana Lisboa, está na mostra competitiva do Festival do Rio, valendo voto popular.

O filme foi selecionado entre centenas de curtas para a competição do Festival do Rio 2009. Só tem fera!
A sessão de gala será no dia 04 DE OUTUBRO, domingo, às 21h:45min, no Cinema Odeon Petrobrás, junto com o longa-metragem "O Sol do Meio Dia", de Eliane Caffé.
Vou estar lá.

As outras sessões serão:
SEG (5/10) 13:00 Odeon Petrobras - sessão popular
TER (6/10) 15:40 Est Vivo Gávea 3
TER (6/10) 22:10 Est Vivo Gávea 3

Endereços e lotações: Odeon Petrobras – Praça Floriano 7, Cinelândia. Lotação: 586 lugares
Est Vivo Gávea 3 - Rua Marquês de São Vicente 52 – Gávea. Lotação: 91 lugares

As sessões citadas (exceto a de gala) são para público pagante, valendo voto popular.
A sessão dita como popular tem ingresso mais barato do que nos outros dias.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Bienal do Livro

Achei bem produtivo o encontro de ontem "Diálogos Imagem & Texto" mediado pelo ilustrador Maurício Veneza e com a participação da também ilustradora Rosinha Campos e minha.


Na foto com colegas escritores e ilustradores que compareceram ao encontro.


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Bienal do Livro

Ontem foi muito boa a mesa-redonda. Leve, divertida, harmoniosa como são os encontros entre amigos.

Da esquerda para a direita: Bartolomeu Campos de Queirós, Odilon Moraes, Ieda de Oliveira, Rui de Oliveira e Gustavo Bernardo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

BIENAL

Espero todos vocês.

Clique sobre o convite.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Arte em cada detalhe

Todos os que me conhecem sabem quanto gosto do Japão, quanto me sinto feliz e refeita entre aqueles jardins, museus, amigos, delicadeza e ARTE.
Fico encantada com o silêncio de Tóquio, que parece vazia, apesar de uma população flutuante de quatro milhões de pessoas, além dos moradores. Outro aspecto que impressiona no Japão é o aproveitamento de cada espaço livre, com bom gosto. Uma amiga me enviou algumas fotos de uma plantação de arroz da província de Aomori em Inakadate. Plantando mudas de folhas de cores diferentes, o que poderia ser uma ação rotineira de plantar arroz, vira, nas mãos deles, uma obra de arte. As fotos abaixo são da safra de 2009.










segunda-feira, 24 de agosto de 2009

África e Africanidades


Atenção ao curso de extensão AFRICA E AFRICANIDADES: DEZ CONFERÊNCIAS SOBRE HISTÓRIA DA ÁFRICA, promovido pela Linha de Pesquisa África e Diáspora Negra do LEDDES, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em História da UERJ (PPGH). Período de 22 de setembro a 29 de outubro de 2009, às terças e quintas, das 18:30 às 21:30 h. UERJ, 9º andar, Auditórios 91 e 93. Vide blog: http://leddesuerj.blogspot.com/

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ainda dia 20

Dia 20 de agosto, quinta-feira, às 18h:30m, o maestro Adeilton Bairral defenderá sua tese de doutorado: A prática da notação musical antiga no Brasil: Evidência da presença da episteme da similitude no século XIX.

A Banca examinadora é composta pelos professores doutores:
Carlos Alberto Figueiredo (orientador)
Carole Gubernikof (UNIRIO)
Eduardo Lakschevitz (UNIRIO)
Maya Suemi Lemos (UERJ)
Sara Cohen (UFRJ)

Local: Avenida Pasteur, 436/fundos - Centro de Letras e Artes/UNIRIO, prédio do curso de teatro, 4º andar, sala de audio visual, primeira sala à esquerda de quem sai do elevador.

O maestro Adeilton Bairral é responsável pelo meticuloso trabalho de revisão musical do Brasileirinho - História de Amor do Brasil.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Leitura em Debate: O leitor além dos muros escolares

Esta série Leitura em Debate, da qual já participei, é uma excelente iniciativa da Biblioteca Nacional. São sempre três convidados, que discutem questões relacionadas à literatura infantil e juvenil. O encontro é aberto ao público e transmitido em tempo real pelo Instituto Embratel. Quem não puder estar presente tem a possibilidade de assistir de casa e de qualquer parte do Brasil. Basta acessar o site http://www.institutoembratel.org.br/. Todas os programas, inclusive o de que participei, estão disponíveis no site do Instituto para download. O encontro será no dia 20 de agosto, às 16h, e contará com a presença do Bartolomeu Campos de Queirós, da Rona Hanning e da Rosa Helena Mendonça. A mediação será feita por Anna Cláudia Ramos. Seguramente, será mais um encontro imperdível. A programação completa pode ser acessada no http://www.bn.br/

Lançamento do Márcio

Márcio Paschoal é meu divertido amigo e vizinho aqui do Leme. Jornalista, com vários livros publicados, está lançando mais um livro A maconha está bêbada e outras crônicas, em que seguramente, como em todo seu trabalho, o humor é a tônica. Reproduzo o e-mail que enviou.

Mais um livro; mais uma encrenca, um abacaxi. Esse agora (oitavo) é de crônicas que escrevi para jornais, sites e revistas, mesmo sem eles saberem.
O lançamento é agora dia 20, quinta, a partir das 19hs, na livraria da Travessa de Ipanema (Visconde de Pirajá com Aníbal de Mendonça). Leve comida de casa ou vá comida (no melhor sentido que lhe aprouver) pois serão servidas só aquelas pastinhas, sabor indefinido, algo entre o atum e o presunto, ou vice-versa. Se está pensando em beber, toda a cautela pois o vinho branco que costuma ser oferecido no lugar é um severo teste para hepáticos. Melhor beber ali perto, cheio de bares ótimos. Então, você perguntaria que diabos fazer lá? Chato, né? Também não sei qual argumento usar. Como escrevi numa crônica (Os artistas da comiseração), sua força é tudo nessa hora. ?A Maconha está bêbada e outras crônicas? fala do melhor vício da vida, que é fazer e cultivar amigos. Capriche na desculpa, ou apareça.

Como não tenho desculpas, estarei lá. O site do Márcio é http://www.marciopaschoal.com/

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Agradeço a visita!

Estou sempre tentando entender um pouquinho mais destas inúmeras novidades tecnológicas. Geralmente, quando consigo descobrir, é porque já não é novidade. Acrescentei hoje ao blog um ícone "seguidores", descoberto por acaso.
Como estou sempre recebendo feed-back por e-mail de pessoas que retornam com frequência ao blog, convido, então, os que desejarem, a clicar nesse ícone, situado abaixo do "visualizar meu perfil completo". Serão muito benvindos.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Reflexões sobre o insólito

VI Painel Reflexões sobre o Insólito na Narrativa Ficcional e I Encontro Regional O Insólito como Questão na Narrativa Ficcional

3 e 4 de novembro de 2009

Na UERJ – Instituto de Letras
Submissão de trabalhos e demais informações na página do evento:
http://www.sepel.uerj.br/eventos.html

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Don Hertzfeldt

É sempre bom rever este primeiro curta do premiadíssimo Don Hertzfeldt. Penso que seu olhar desconcertante sobre a realidade do mundo, em contraponto com a leveza infantil da animação aumentam a imprevisibilidade necessária que o humor necessita.



É bom saber...

Em setembro acontece o Fórum de Estudos Linguísticos da UERJ.
Maiores detalhes: http://www.pgletras.uerj.br/forum/2009/inscrcomtrab.php

O CaSePEL 6, dedicado à Literatura Infanto-Juvenil, já se encontra publicado on line: http://www.sepel.uerj.br/casepel.html


A IX edição do Seminário Nacional de Literatura, História e Memória, da UNIOESTE/Cascavel, este ano, realizar-se-á de modo interinstitucional, congregando, assim, o III Simpósio Gêneros Híbridos da Modernidade, da UNESP/Assis SP. Os eventos congregados realizar-se-ão nos dias 16 e 17 de setembro de 2009, no campus da UNESP de Assis/SP, tendo como tema comum a discussão: a literatura no cinema. Maiores detalhes no link abaixo.

http://www.unioeste.br/eventos/ixseminariolhm/.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pelas esquinas do Brasil...

Brasília


Exposição "Fotografia Contemporânea Potiguar - Imagens da esquina do Brasil"
Curador: Ricardo Junqueira
Local: CAIXA Cultural Brasília - Galerias Piccolas I e II
Visitação: de 30 de julho a 31 de agosto de 2009
Horário de visitação: diariamente, das 9h às 21h
Endereço: SBS Quadra 4 Lote3/4, edifício anexo da Matriz da CAIXA


Natal/RN

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

I Colóquio Internacional Vozes – II Encontro em Artes Cênicas

16 a 26 de agosto de 2009


Rio de Janeiro


Tributo a Berlioz

Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ


Com Paulo Barcelos (Tenor), Eliara Puggina (Piano), Nicolas de Souza Barros (violão de 8 cordas) e Ricardo Amado (violino).

Dia 10 de agosto, às 19h, no Salão Dourado do Palácio Universitário da Praia Vermelha

Av. Pasteur 250, segundo andar, Urca - Rio de Janeiro

Entrada Franca




terça-feira, 4 de agosto de 2009

Letra Magna

Vale a pena acessar a revista eletrônica Letra Magna. Além da entrevista com David Crystal, merece destaque especial o artigo "Aspectos da cortesia verbal no discurso infantil" de Giovanna Wrubel Brants.




segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Clipe

Não consegui criar um link para o clipe do livro da Adriana e do Rui. Importei, então, do Youtube.


Lançamentos

Ondjaki e Claudia Roquette-Pinto lançam hoje, 3/8, na Travessa de Ipanema, às 19h - seus novos livros infanto-juvenis: O Leão e o Coelho Saltitão e Botoque e Jaguar (a origem do fogo), (Ed. Língua Geral).

Na quinta-feira, dia 6, a partir das 19h é a vez da Luciana Sandroni lançar Joaquim e Maria (Companhia das Letrinhas)

Está disponível no Youtube o clipe do livro A Sereia e o Caçador de Borboletas de Adriana Lisboa com ilustrações do Rui de Oliveira.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Alice Vieira - 30 anos de literatura

Minha vida tem episódios engraçados e insólitos. Um deles diz respeito à Alice Vieira. Estava eu, um belo dia, na UFRJ, isso lá pelos idos de 1992, quando a Elisabeth Vasconcelos falou da Alice Vieira. Fiquei bastante curiosa e encomendei alguns livros dela e um, entre os belíssimos textos, me tomou por completo: foi o hilariante Graças e Desgraças na Corte de El- Rei Tadinho. Naquele momento, determinei que queria fazer um estudo daquele texto e entrevistar a autora. Ninguém sabia muita coisa dela, apenas que morava em Portugal. Entrei em contato com o Editorial Caminho, por onde ela publicava, mas sem resultado. Passado algum tempo, conversando com um amigo português, contei que queria conhecê-la e ele disse: "Ai é? ela é muito minha amiga". Aí ele fez as primeiras apresentações e passamos a nos falar por telefone. Bem, acabei em Lisboa, num encontro muito divertido, mas não tão divertido como os muitos outros que se sucederam, que acabaram nos transformando em amigas de infância.
Alice está fazendo trinta anos de literatura de qualidade e recebendo de Portugal a justa homenagem a que tem direito. Reproduzo aqui a entrevista publicada hoje no jornal Correio da Manhã.

Entrevista: Alice Vieira

"Se dá trabalho também dá prazer" Alice Vieira, escritora há 30 anos, está de parabéns “por tantos e tão bons livros”, slogan da megacampanha que a Leya lhe preparou em surpresa. Até o neto dar o alarme.

Correio da Manhã – Como é que "uma escritora de manias" mas sem "a mania das grandezas" lida com uma megacampanha que inclui posters e crachás...

Alice Vieira – Só comecei a perceber que havia qualquer coisa por aí quando todos os jornais, de repente, queriam falar comigo... E quando um dos meus netos, o Diogo, disse: "Na FNAC há um cartaz com uma cara igual à tua. Só não és tu porque a do cartaz tem o cabelo azul..." Uma das coisas de que mais gosto na campanha é desse meu súbito cabelo à Wanda Stuart!

– E que manias são aquelas de que é pecadora confessa?

– Antes de começar a escrever tenho de limpar a mesa, ponho um caderno moleskine novo ao lado do computador, encho a parede em frente com fotografias das pessoas que amo e escolho o CD que me vai acompanhar durante o tempo de escrita. Cada romance tem a sua música de fundo... O próximo, a começar no dia 1 de Agosto, vai ter a ‘Mãe’ do Rodrigo Leão.

– Além do merchandising, a editora vai enviar um livro seu para Timor por cada postal que uma criança lhe escreva... Ideia sua?

– Foi. Achei boa ideia ligar a minha paixão pela escrita à minha paixão por Timor... Timor só suscita reacções extremas: ou se odeia ou se ama. Senti que ia ficar ligada desde o momento em que pisei aquela terra. E as pessoas são tão cativantes, abraçam-nos, querem sempre aprender mais. A única coisa que vi as crianças pedir foi lápis.

– Este é o Ano Alice Vieira?

– Todos são. Estou contente por os meus patrões se lembrarem de festejar os meus 30 anos de trabalho, mas não vou trabalhar mais nem melhor... O que dá trabalho, dá prazer e já tenho encomendas para três romances, um livro de crónicas e um texto para o maestro Eurico Carrapatoso musicar para a Orquestra Metropolitana de Lisboa...

– E a sua relação com a poesia?

– É uma relação diferente da que tenho com o resto da minha produção. Acho que devia ter usado outro nome, não como pseudónimo, mas como heterónimo porque, em poesia, sou mesmo outra pessoa.

– Desde a estreia, com ‘Rosa, Minha Irmã Rosa’, o que mudou?

– Tudo. O Mundo. Um mundo sem telemóveis nem laptops, sem via verde nem multibanco, sem televisão por cabo nem microondas, sem CD nem Zara... E nós vivíamos!

PERFIL

Alice Vieira completou este ano 66 de idade, 40 de jornalismo e 30 de literatura. Com obra feita e premiada em todos os géneros, é nos jovens que tem os mais fiéis leitores e, já em Setembro, recebe em Gotemburgo, o Prémio Peter Pan. Há dois anos descobriu a poesia e, dois livros mais tarde (‘Dois Corpos Tombando na Água’ e ‘O Que Dói às Aves’), é oficial: temos poeta!

Dina Gusmão

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A grande arte do Brasil

Falei muito aqui das belezas indiscutíveis do Japão, mas quero falar das saudades do Brasil. Saudades da arte produzida no Brasil, do Quinteto Armorial, por exemplo, e do Ariano Suassuna e suas reflexões cristalinas.

A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio.

Nem eu, Ariano, nem eu.