quarta-feira, 29 de abril de 2009

Setembro em Munique

Estará acontecendo em Munique, entre os dias 2 e 6 de setembro, o Oitavo Congresso Alemão de Lusitanistas. Haverá uma seção de Literatura Infantil e Juvenil. As comunicações poderão ser apresentadas em alemão ou português. As inscrições vão até 31 de julho.
Maiores informações no site http://www.lusitanistenverband.de/

sábado, 25 de abril de 2009

Almodôvar e Idade Média

A vila de Aljezur, vista do castelo homônimo

Aproveitando o fim de semana, fui de carro com as amigas portuguesas Aida e Bárbara ao Algarve e Alentejo. Não conhecia essa parte de Portugal. Muitas coisas me impressionaram: o jardim natural dos campos, os sobreiros, de onde é extraída a cortiça, a luz intensa reforçada pelo espelho do mar e o branco das construções, as ruínas do castelo de Aljezur, que foi tomado aos árabes por Afonso III, Évora com suas ruas seculares e seu templo de Diana, a cidade de Albufeira e suas belas praias repletas de ingleses e alemães sedentos de sol e principalmente a cidade de Almodôvar, onde pude pela primeira vez viver um pouco da Idade Média numa feira medieval. Foi uma experiência única transitar em um ambiente cuidadosamente reproduzido, nos mínimos detalhes. O chão coberto de feno, as barracas, réplica das feiras medievais, os participantes em trajes típicos, um fogão de lenha assando pães deliciosos a céu aberto, comidas típicas, um show apresentado por cantores com instrumentos, trajes e músicas da Idade Média entre outras atrações. O que mais me encantou foram os brinquedos medievais, que o público podia experimentar. Fascinante. Não conto aqui da comida alentejana e dos quilos engordados. E o vinho!!!!! pecado à parte. Em Évora, jantamos no restaurante Fialho (recomendo a todos). O próprio me contou que criou o prato"bochechas a Fialho", servido no Antiquarius do Rio de Janeiro. Ai, Jesus! Como se engorda na terrinha!!!

É incrivel a quantidade desses jardins naturais em Portugal. Vi muitos na região de Cascais e no Algarve, onde esta foto foi tirada.


Estou aí num brinquedo medieval, sob a orientação do arqueiro, tentando fazer a bola chegar até a caixa. Superdifícil e com aparência fácil.



quarta-feira, 15 de abril de 2009

Faces de Eva

Hoje fiz uma conferência na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa sobre o tema "As duas faces de Eva - dialética feminina e literatura infantil", no ciclo de conferências "A Mulher - Discursos e Representações". Foi uma experiência enriquecedora ter como platéia tão seleto grupo de pesquisadores e escritores. Palavra de alma, discurso de paixão e afinidades. Definiria assim o clima do encontro. Voltarei em breve a falar sobre ele aqui no blog e, com um pouco de sorte, postar algumas fotos feitas por celulares dos participantes. Amanhã irei ao lançamento do livro A luz negra no seu roxo amanhecer, Portugália Editora, da escritora Gilda Nunes Barata, no Buchholz - Chiado, Largo Rafael Bordalo Pinheiro, 30, às 18h30min, apresentado por Batista-Bastos. Quem estiver em Lisboa não deve perder.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Coimbra de Pedro e Inês

Gosto muito de Coimbra, de seu encanto e mistérios e não me canso de estar aqui. Ontem fiz uma palestra na ESEC (Escola Superior de Educação de Coimbra) para futuras professoras de educação infantil. Gostei muitíssimo de estar entre elas e com a professora Leonor Riscado. Por aqui fomos recebidos e acolhidos pelos queridíssimos amigos professores Rui Veloso e Aida. As histórias de Coimbra são inúmeras e um convite contínuo ao sonho. Abaixo, com as alunas da ESEC.

Com as alunas da ESEC

sábado, 11 de abril de 2009

Paris - alguma notícia

Fiz estas fotos em Paris num dia de sol. Dificil saber de beleza comparativa. Neste momento estou em Portugal, onde vim fazer uma palestra na Universidade Nova de Lisboa e também na Escola Superior de Educação de Coimbra. Em Paris está acontecendo a exposição dos cinquenta anos do Le Petit Nicolas. Um pouco de Goscinny e Sempé podem ser vistos em postagem mais antiga aqui no blog.




Paris em dois ângulos



Num café no Boulevard Saint-Germain com Helênio e nossos supervisores de pós-doc: Patrick Charaudeau (Paris XIII) e Anne-Marie Houdebine (Sorbonne)

domingo, 29 de março de 2009

Praga: a mais linda do mundo!

Fiz algumas fotos da cidade. Aqui, um trecho visto do Castelo de Praga e o rio Vltava.


Realmente Praga pode ser considerada uma das cidades mais lindas do mundo. Estou aqui há alguns dias. Fascinada. A beleza arquitetônica e a natural são de tirar o folêgo. E ainda tem o U Fleku, a cervejaria mais antiga do mundo, fundada em 1499. Tem razão o amigo Gustavo Bernardo, que deu a dica de ficar no hotel ao lado dela. A cerveja preta deles é inigualável. Ratifico a dica. Amanhã sigo para Paris para dar início ao pós-doutorado.

sábado, 28 de março de 2009

Feira de Bologna 2009

A Feira de Bologna, na Itália, é a mais importante feira de livros infantis e juvenis. O Brasil se faz representar pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), pela CBL e por vários autores, ilustradores e editores brasileiros. Todo ano a FNLIJ faz um catálogo com a seleção das obras publicadas no ano anterior e que irão representar a produção literária brasileira. Um dos livros selecionados foi O que é qualidade em Literatura Infantil e Juvenil - com a palavra o ilustrador.
O país homenageado este ano foi a Coréia e havia um enorme número de livros coreanos belamente ilustrados apresentados ao público, mas era enorme também o número de estandes e livros de várias partes do mundo. Essa feira não é para a compra direta de livros. Todo o material exposto é doado. Os negócios são feitos entre editores e agentes literários, que representam seus autores. Fotografei alguns livros e alguns momentos da Feira. Encontrei por lá muitos amigos escritores, ilustradores e editores.

Ilustração em livro coreano


Painel na entrada da Feira de Bologna com letras de vários alfabetos


Exposição de manhwas coreanos na Piazza Magiore em Bologna


Tenho comigo um material ótimo, mas não dá para colocar no blog agora. Estou em Praga e bastante ocupada. Tão logo possa, dou sequencia.

segunda-feira, 16 de março de 2009

História dos bairros cariocas

Foto Carlos Vieira

Para conhecer um pouco da história dos bairros do Rio de Janeiro, inclusive a origem dos nomes, é só clicar.

Abolição
Acari
Água Santa
Alto da Boa Vista
Anchieta
Andaraí
Anil
Bancários
Bangu
Barra da Tijuca
Barra de Guaratiba
Barros Filho
Benfica
Bento Ribeiro
Bonsucesso
Botafogo
Brás de Pina
Cachambi
Cacuia
Caju
Camorim
Campinho
Campo dos Afonsos
Campo Grande
Cascadura
Catete
Catumbi
Cavalcanti
Centro
Cidade de Deus
Cidade Nova
Cidade Universitária
Cocotá
Coelho Neto
Colégio
Complexo do Alemão
Copacabana
Cordovil
Cosme Velho
Cosmos
Costa Barros
Curicica
Del Castilho
Deodoro
Encantado
Engenheiro Leal
Engenho da Rainha
Engenho de Dentro
Engenho Novo
Estácio
Flamengo
Freguesia (Ilha do Governador)
Freguesia (Jacarepaguá)
Galeão
Gamboa
Gardênia Azul
Gávea
Glória
Grajaú
Grumari
Guadalupe
Guaratiba
Higienópolis
Honório Gurgel
Humaitá
Inhaúma
Inhoaíba
Ipanema
Irajá
Itanhangá
Jacaré
Jacarepaguá
Jacarezinho
Jardim América
Jardim Botânico
Jardim Carioca
Jardim Guanabara
Jardim Sulacap
Joá
Lagoa
Laranjeiras
Leblon
Leme
Lins de Vasconcelos
Madureira
Magalhães Bastos
Mangueira
Manguinhos
Maracanã
Maré
Marechal Hermes
Maria da Graça
Méier
Moneró
Olaria
Oswaldo Cruz
Paciência
Padre Miguel
Paquetá
Parada de Lucas
Parque Anchieta
Parque Columbia
Pavuna
Pechincha
Pedra de Guaratiba
Penha
Penha Circular
Piedade
Pilares
Pitangueiras
Portuguesa
Praça da Bandeira
Praça Seca
Praia da Bandeira
Quintino Bocaiúva
Ramos
Realengo
Recreio dos Bandeirantes
Riachuelo
Ribeira
Ricardo de Albuquerque
Rio Comprido
Rocha
Rocha Miranda
Rocinha
Sampaio
Santa Cruz
Santa Teresa
Santíssimo
Santo Cristo
São Conrado
São Cristóvão
São Francisco Xavier
Saúde
Senador Camará
Senador Vasconcelos
Sepetiba
Tanque
Taquara
Tauá
Tijuca
Todos os Santos
Tomás Coelho
Turiaçu
Urca
Vargem Grande
Vargem Pequena
Vasco da Gama
Vaz Lobo
Vicente de Carvalho
Vidigal
Vigário Geral
Vila Cosmos
Vila da Penha
Vila Isabel
Vila Militar
Vila Valqueire
Vista Alegre
Zumbi

E-mail enviado por André Conforte.

domingo, 15 de março de 2009

O suspense de Amélie Nothomb

Termino a leitura do bom suspense Mercure de Amélie Nothomb. Em linhas gerais, bem gerais, trata-se da história de uma enfermeira a quem é confiada a missão de cuidar de uma jovem que mora numa ilha deserta com um senhor. Aos poucos, a enfermeira percebe que há alguma coisa muito estranha ali e começa a investigar. Não conto mais, para não atrapalhar a possivel leitura que alguém queira fazer.

Num trabalho tecnicamente primoroso, a autora abre o livro com uma narrativa em primeira pessoa, sob a forma de diário (da personagem Hazel, "prisioneira" do velho senhor), e a partir daí, com pouquíssimas incursões em terceira pessoa, utiliza o recurso da técnica teatral, em que o narrador desaparece por detrás da fala dos personagens. Esse recurso, além de acelarar a narrativa e facilitar o suspense, permite que o leitor tenha uma visão de variados ângulos dos personagens. Na narrativa em primeira pessoa, como sabemos, ficamos com o olhar limitado pelo de quem narra, mas na profusão dos diálogos podemos perceber o que essa fala oculta. Isso é muito interessante do ponto de vista técnico. Até certo momento do texto, por exemplo, temos uma visão da enfermeira dada por ela mesma, mas, pela fala do velho senhor, podemos perceber aspectos ocultos do comportamento dela, que não nos seria possivel acessar.

Nesse jogo, somos aprisionados, não só por isso, mas, entre outras coisas, pela maneira profunda com que a autora procura vasculhar os motivos mais ocultos das ações humanas nas suas relações com a beleza, com a morte, com o amor.

Até onde sei, o livro ainda não foi traduzido para o português. Ficamos na torcida.

sábado, 14 de março de 2009

O talento de Cristina

Uma das coisas que me dão imensa alegria é compartilhar com todos o talento de grandes artistas. É o que procuro fazer aqui no blog. Alguns não conheço, a não ser por suas obras; outros são queridos da minha convivência. Esse é o caso de Cristina Biazetto, brilhante ilustradora gaúcha, amiga irmã, que estará lançando no dia 28 de março seu novo livro de imagens. De uma delicadeza impar, Cristina elege o rosa para abrir a sua Aurora. Não vou poder comparecer ao lançamento porque estarei fora do Brasil, mas convido a todos que possam a não perder essa oportunidade.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Último prazo

A Embaixada dos Estados Unidos recebe propostas em inglês para um projeto que resulte na redução de fontes terrestres de poluição marinha, causadas por produtos agrícolas, nos córregos e rios brasileiros. Serão concedidos US$ 75 mil ao melhor projeto, que será implantado no Estado do Mato Grosso ou em outro polo de intensa atividade agrícola nos estados brasileiros. Encerramento das inscrições: 31/03/2009
Maiores informações no site:

quinta-feira, 12 de março de 2009

Cinco vezes Adriana

A amiga querida Adriana Lisboa enviou um e-mail contando que ficou pronta a versão em espanhol do seu excelente e premiado Sinfonia em branco, Ed. Rocco. O livro já foi publicado em Portugal, Itália e França. Recomendo aos que ainda não leram que o façam com urgência.









quarta-feira, 11 de março de 2009

II LIHED

Será no dia 11 de maio, na Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro, a abertura do II LIHED, Seminário Brasileiro Livro e História Editorial para todos os que estudam, pesquisam e trabalham no campo do livro, da leitura e da história editorial.
Muitos convidados nacionais já confirmaram a presença, assim como os convidados franceses: Roger Chartier, Jean-François Botrel, Diana Cooper-Richet, Michel Melot, Frédéric Barbier e André Vauchez, e também Manuela D. Domingos, da BN-Lisboa.
Os interessados podem obter mais informações no site www.uff.br/lihed

terça-feira, 10 de março de 2009

A história do "cerca Lourenço"

Desde pequena ouço uma expressão curiosa, e que nunca havia entendido até hoje, que me deixava intrigada. Era o tal do “cerca Lourenço” utilizado toda vez que alguém ficava de enrolação. Pois é, o que eu nunca poderia imaginar é que viria conhecer o neto do Lourenço, um “nerd” que é responsável pelo bom funcionamento de meus computadores e professor de minhas angústias informáticas. A história de seu avô me fascinou.

Imaginem que o Lourenço, que, como o neto, tem o sobrenome de Gilaberte, era sócio de uma antiga fábrica de sabão na Av. Brasil. Uma de suas diversões, e de alguns de seus amigos, era jogar cartas no antigo Jardim zoológico de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Lá havia um gerente que toda semana, como novidade, colocava um animal em destaque para ser apreciado pelos visitantes. Uma semana era a cobra, na outra o macaco e assim por diante. A turma que jogava cartas ali acompanhava sem interesse as trocas do gerente, até que um dia o mau cheiro de alguns animais começou a incomodá-los. Reclamaram muito, e aquilo acabou virando motivo de chacota.

Toda a semana eles brincavam para ver se adivinhavam qual o bicho seria escolhido pelo gerente para ser exposto aos olhares do público. Resolveram começar a apostar pra valer. A responsabilidade de recolher o dinheiro de todos e guardar até a outra semana, ficou a cargo do Lourenço.
Parece que na época, os jogos de azar estavam proibidos. Os cassinos foram fechados e segundo o Gilaberte neto, a turma se refugiou no que então ainda não tinha o nome oficial de "jogo do bicho". Pois bem, o Lourenço virou o dono da banca, quer dizer “banqueiro”, e o “negócio” prosperou muito, ao contrário da fábrica que ia mal das pernas.

Bem, não precisa dizer que o cerco policial foi intenso, mas nunca, nunquinha, conseguiram prender o Lourenço. A polícia chegava e gritava “cerca o Lourenço!”, que muito espertamente saía correndo em direção a um açougue que tinha uma porta falsa dentro do frigorífico, dando acesso a uma vila por onde ele fugia.
Hoje convivo com esse “nerd” incrível, Carlos Gilaberte, que seria a última pessoa do mundo para quem alguém diria “cerca Lourenço!”.

domingo, 8 de março de 2009

L'Africain


Termino a leitura de L'Africain, de J.M.G. Le Clézio, Prêmio Nobel de Literatura 2008. É um texto autobiográfico, de rara beleza, em que Le Clézio revisita a África, para onde foi aos oito anos com a mãe e o irmão, ao encontro do pai médico, de quem esteve afastado e que pouco conhecia. Gosto muito das percepções do olhar da criança recontruído no fio de sua memória adulta em emoções cruzadas pelo olhar estrangeiro, que busca compreender simultaneamente a África e o pai.

Li o original, mas há uma tradução em português, da Cosac Naify, feita por Leonardo Fróes.

Num dia de mulher

Fiz esta foto em Bom Jesus, Angola,
às margens do rio Kuanza


SINAL DE MÃE NAS ESTRELAS
as estrelas cortejam a nossa terra
só as mães cujos filhos cresceram-diria o poeta
sabem o que é senti-los distantes como as estrelas
e agarrando-se ao mastro da dor
só as mães sabem com certeza
ler as palmas desvairadas ao vento quando os olhos se perdem
na sombra duma ilusão em fragmentos
só as mãos das mães sabem os sinais das estrelas
nos filhos que se perdem todos os dias, por detrás do ódio
na noite e em dia pleno é sempre de amor
o amor que pelas mães todas as estrelas à terra fazem sinais.

Amélia Dalomba

segunda-feira, 2 de março de 2009

White Ravens 2009


Mil vivas ao querido Odilon Moraes, que acaba de receber o White Ravens 2009, da Biblioteca Internacional de Munique, pelo livro O guarda-chuva do vovô, da ed. DCL.
O Odilon é um dos brilhantes ilustradores que fazem parte do livro O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil - com a palavra o ilustrador, Ed.DCL (ver capa ao lado). Seu artigo "O projeto gráfico do livro infantil e juvenil" é leitura indispensável. Mais sobre ele pode ser lido na matéria "Fadas contra a crise", do Estado de São Paulo, postada aqui no blog.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Retorno e trabalho

Estradinha da Rapadura, onde gosto de respirar e caminhar sempre.

Depois de uma pausa de fuga ao carnaval (moro no Leme cercada pela "Banda do Leme", "Meu bem eu volto já" e "Peru Sadio") encontro um mundaréu de tarefas esperando. Uma delas é preparar a arguição da dissertação de mestrado de Almir Ribeiro Miguel sobre "Coesão e coerência textual em dissertação: influência da oralidade". A defesa será no dia 11/03, às 14h, na UERJ. É aberta ao público. Quem desejar assistir, será no miniauditório no Bloco F, 11° andar, em frente à secretaria da pós-graduação.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Fadas contra a crise

Saiu hoje no Caderno 2 do Estado de São Paulo uma boa matéria sobre ilustração no livro infantil feita pelo jornalista Antônio Gonçalves Filho. Ele me ligou e me entrevistou por telefone. Como é uma matéria extensa, reproduzo aqui parte dela e o link para que possa ser lida na íntegra.

Fadas contra a crise
Antonio Gonçalves Filho

Ilustração de livro infantil deixou de ser coisa de criança. Entusiasmados com a demanda das editoras de olho nas compras governamentais de livros paradidáticos- que, a exemplo da Companhia das Letras e Cosac Naify, criaram selos especiais para o público infanto-juvenil - ilustradores se articulam para vender o produto de seu trabalho de forma mais organizada. Quem sai ganhando com a profissionalização é o leitor.

Impressionada com o aumento do nível das ilustrações de livros dirigidos a crianças e jovens, Ieda de Oliveira, professora carioca de Teoria da Literatura, até defendeu uma tese sobre o assunto e lançou pela editora Difusão Cultural do Livro (DCL) O Que é Qualidade em Ilustração no Livro Infantil e Juvenil, segundo de uma série de três volumes dedicados ao tema com a participação de escritores (o primeiro) , ilustradores (o segundo) e educadores (o terceiro, a sair ainda este ano pela mesma editora). Como um cartão de visitas, a Sociedade dos Ilustradores do Brasil (SIB) lançou um catálogo com alguns dos principais ilustradores que integram a associação. Em ambos os livros, um nome se destaca, o do premiado ilustrador Odilon Moraes, que faz a apresentação dos colegas no catálogo e acaba de lançar uma nova versão de seu A Princesinha Medrosa pela Cosac Naify, editora de outros livros ilustrados pelo arquiteto e artista que agora, com o "boom" dos livros destinados ao público infanto-juvenil, firmou com ela um contrato muito especial. Odilon foi desafiado a apresentar os projetos mais difíceis para a editora - desses que os concorrentes automaticamente recusam pelos altos custos gráficos e ambições artísticas. E A Princesinha Medrosa é o primeiro desafio vencido. Com ilustrações inéditas, o livro, também escrito por Moraes e anteriormente publicado pela Companhia das Letras, ganha novo formato e capa em baixo-relevo - aparentemente, apenas um capricho formal do autor mas que, no final das contas, acaba por revelar a prevalência do projeto do criador nas novas negociações com os editores. A capa de Odilon mostra o rosto de uma princesinha escondida atrás de uma janela, que se abre em relevo na capa branca, clara homenagem do ilustrador a um dos mais belos livros infantis, O Reizinho das Flores, da ilustradora tcheca Kvelta Pacovská, em que as primeiras páginas têm, ao centro, um buraco pode onde se entrevê a figura imóvel do monarca. Os cenários mudam, mas o rei permanece impassível com o passar das páginas. Já com a princesinha de Odilon, escondida atrás da janela com medo da solidão e do escuro, ela vê crescer o cenário e diminuir o trauma da sua incomunicabilidade à medida que a história avança. Ao se perder da comitiva, encontra seu perfeito interlocutor na figura de um pequeno súdito que conta estrelas à beira de um riacho. Se, no livro da tcheca Pacovská, o texto tratava do tédio do reizinho mesmo que a paisagem ao seu redor mudasse, o de Odilon precisava reforçar a solidão da princesinha - e nada mais indicado que isolá-la no canto da capa, numa janela em relevo, usando o design para reforçar sua fobia.

Esse é um dos aspectos estudados pela acadêmica Ieda de Oliveira em seu livro sobre ilustradores brasileiros, o da correspondência entre texto e imagem e a qualidade estética dessa literatura, que muitos julgam "menor" por ser dirigida a crianças. Ela, então, apresentou um questionário a consagrados autores brasileiros e portugueses e o resultado apontou para uma literatura que, ao contrário, apresenta um conteúdo tão sofisticado quanto o da literatura para adultos.

A professora usou anteriormente o conceito de "contrato de comunicação" do teórico francês Patrick Charaudeau- o da possível aceitação de um acordo entre o autor e o leitor que decide o êxito de uma obra - para definir a literatura infanto-juvenil (em sua tese de doutorado O Contrato de Comunicação da Literatura Infantil e Juvenil, publicada pela editora Lucerna). De fato, o que se vê hoje na ilustração de livros para crianças é uma preocupação maior com o leitor adulto que já tem _ ou deveria ter- o olhar suficientemente educado para passar a "mensagem" do ilystrador/autor às crianças. "Sem esse contrato de comunicação, até mesmo a crítica se equivoca na análise do livro infantil, ao usar o mesmo método de análise da literatura para adultos", observa Ieda de Oliveira. "Há um preconceito contra o ilustrador, como se ele não fosse também autor", diz. "E até os professores, que deveriam ensinar as crianças a ver, ignoram a parte visual por absoluta falta de formação", conclui a estudiosa.

Clipping enviado pela assessoria de imprensa da Ed. DCL:

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Um encontro imperdível


Acabo de ler o excelente O Encontro, de Anne Enright. Raras vezes li um texto com igual domínio técnico. A maneira como a autora trabalha e joga com a verossimilhança para narrar a história de uma família irlandesa que depois de muito tempo afastada é obrigada a se reunir em torno do funeral de um dos membros, história narrada em primeira pessoa por Verônica, um dos membros dessa família, esbarra na perfeição. Sabemos apenas por seu olhar, sentido, faro, lembrança e possibilidades. O que foi, o que poderia ter sido?
Num tom intenso e com associações desconcertantes, Anne Enright lida com o tempo da narrativa cruzando-o com o tempo da memória com tal destreza, que mantém o leitor magnetizado.
Justíssimo ter sido agraciada, por este livro, com o Man Booker Prize 2007. Anne Enright já confirmou sua vinda à FLIP, este ano. Será uma excelente oportunidade de ver e ouvir essa brilhante irlandesa.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Dica prática para conversão de textos nas novas regras ortográficas

Uma dica prática: para se fazer a conversão de texto das regras antigas para as novas regras ortográficas em segundos, basta entrar no site abaixo e digitar uma frase de até 100 caracteres. Ele faz a conversão do texto.
Ex: O vôo é auto-educativo, como vocês vêem.
O voo é autoeducativo, como vocês veem.
http://ramonpage.com/ortografa/


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

COLL - TOP OF QUALITY

Confesso que foi uma boa surpresa. A COLL - Consultoria de Língua Portuguesa e Literatura - fundada e dirigida por mim há 14 anos, juntamente com meu marido, Helênio, que é professor de Língua Portuguesa da UERJ e responsável por todo o trabalho de Português da COLL, recebeu o Prêmio "TOP OF QUALITY 2008".

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Confraria: arte e literatura

Foi lançado o número 23 da Revista Confraria

sábado, 7 de fevereiro de 2009

As últimas cerejas

Este texto foi enviado por minha amiga Alice Vieira.

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma tijela de cerejas. As primeiras, ela chupou-as displicente, mas percebendo que faltaram poucas, até rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabarolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalômanos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio. Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde "tiramos a limpo". Detesto fazer acareação de desafetos que lutaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:"as pessoas não debatem conteúdos, apenas rótulos". O meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Quero a essência, a minha alma tem pressa...

Sem muitas cerejas na tijela, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeções, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge da sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do Bem.

Caminhar perto de coisas e pessoas verdadeiras, desfrutar desse amor abbsolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Os da minha rua


Acabei de ler o belíssimo Os da minha rua, do Ondjaki. Curiosamente, parti para a leitura do livro, meio inconscientemente, tentando rever a Luanda onde estive ano retrasado, por seu olhar, tal como aconteceu quando assisti ao seu belo Oxalá cresçam pitangas e fiquei impressionada com o fato de que algumas imagens do filme eram as mesmas que eu havia fotografado em percepção semelhante. Comentei esse fato com ele, após a apresentação do filme, e também o de que pretendia enviar livros para Luanda para contribuir para a criação de uma biblioteca no Futungo. Ele se mostrou um pouco apreensivo em relação ao possível extravio dos livros. Não deu outra. Acabei sendo indenizada pelos Correios, mas não desisti ainda.
Acho que essa expectativa em relação à identidade do olhar sobre Luanda, em que até então eu acreditara, foi o meu primeiro movimento emocional para o texto. Fui derrubada logo no primeiro momento. O livro, que é composto de pequeninos capítulos, pétulas de memória, não é invasível ao olhar rápido de um viajante apressado. Não. Ele retém em sua delicadeza a virtuose da inocência, onde Ondjaki mira sua Luanda, revisitando-se em poesia.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A cara do Rio

Marcelo Frazão convida para a abertura da exposição A cara do Rio - na visão de 100 artistas. Será no Centro Cultural Correios, dia 7 de fevereiro, às 14h.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

E por falar em Paris, uma dica...

É muito útil e prático o site da TV5 Monde. Em um dos ícones, por exemplo, dúvidas de vocabulário podem ser tiradas rapidamente no seguinte endereço: http://dictionnaire.tv5.org/dictionnaires.asp
É um bom dicionário on line. Vale a pena consultá-lo.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Notícia boa

A notícia alegre é o sucesso em Paris , o que não é fácil, dos shows da minha amiga Anna Torres. Para quem não sabe, é dela a bela voz e a direção musical do meu CD Brasileirinho-História de Amor do Brasil. A partir de março estaremos juntas por lá. Aqui no vídeo a presença também de Vicelow.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mais notícia triste

Faleceu o Hélio Gracie, o pai do Rickson. Foi o Rickson a primeira pessoa que me apresentou à alimentação natural. Foi em casa dele e da Lílian que tomei pela primeira vez suco de laranja lima e recebi orientação de como ter uma dieta sadia. Nossos filhos eram de idades próximas e ele me convenceu da importância da prática do Jiu-Jitsu. Meu filho praticou durante um tempo, mas não se identificou com o esporte e acabou preferindo a música erudita. Ficam a saudade e a solidariedade.

Notícia triste

Estou muito triste com a notícia do falecimento de Dom Lourenço de Almeida Prado, ex-reitor do Colégio de São Bento, no Rio de Janeiro. Quando fui convidada a lecionar literatura no colégio, foi ele que me recebeu e foi ali que conheci sua delicadeza. Só tenho boas lembranças dele e dos meus alunos do curso clássico. Ano passado fui surpreendida com a notícia do falecimento de José Carlos Barcelos, um ex-aluno que virou amigo e com quem pude conviver longo tempo. Acho sempre muito difícil lidar com perdas, muito difícil.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Em bom português: estamos lascados


Reproduzo o texto da Míriam Leitão.

O ajuste já era esperado, mas não alguns dos cortes anunciados. O governo tinha superestimado o crescimento da economia. Com base neste crescimento fictício, previu um aumento da receita. Agora está cortando esse vento que não virá. O governo cortou investimento. Bloqueou 30% do total no chamado corte preventivo. O que ficou foram as obras do PAC, que fazem parte da propaganda do governo.

Mas o mais preocupante é que ao cortar, o Executivo escolheu áreas erradas. Reduziu a verba para ciência e tecnologia, setor onde o mundo hoje tem aumentado o investimento, exatamente como uma das armas para sair da crise, com inovação. Cortou 79% o orçamento do ministério do Meio Ambiente que já vive com pouco.

Apesar disso manteve os concursos, as contratações de mais funcionários, a existência do número extravagante de ministérios, 37. Ou seja, o governo errou quando previu um crescimento da receita em ano de crise, e erra agora na escolha de onde cortar.
As previsões sobre o desempenho das economias mais ricas têm sido revistas sempre para baixo nos últimos tempos. Agora se fala em queda de 2% na economia americana este ano, 4% no Japão, e de 2% a 3% na Europa. É uma devastação.

Hoje ninguém mais acredita que os emergentes salvarão o mundo. O Brasil está crescendo menos, a China está em forte desaceleração e se crescer 6% vai significar um enorme freio para quem vinha a 13%. Rússia está em crise e Índia está crescendo menos. Os dados são péssimos.

Mas o que o fórum de sábios econômicos, que se reúne todos os anos no mesmo lugar onde foi ambientado o famoso romance “Montanha Mágica”, de Thomas Mann, precisa explicar é a mágica que impediu que eles ouvissem os alertas de quem previu esta crise há dois anos. Naquela época eles riram de quem avisou que haveria uma grande recessão.
O presidente Lula estimula o consumo. Mas o governo anunciou uma medida que pode elevar preços e provocou chiadeira entre os empresários. Chama-se licença prévia de importação.
O governo tomou uma decisão absurda ao exigir essa licença de importação de três mil produtos. É quase 60% do que o Brasil importa. Ontem, empresários foram até Brasília mostrar o erro da medida. Quem produz para o mercado interno também importa. Quem exporta também precisa de produtos importados. Isso pode afetar toda a produção brasileira. Em um momento como esse, isso pode gerar inflação.

Ontem, o presidente da Associação da Indústria Automobilística (Anfavea) desabafou: era só o que faltava, neste momento, ter mais uma dificuldade de produção. O vice-presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros, José Augusto de Castro, disse que é uma volta aos anos 1970 e 1980, a época da reserva de mercado.

Detalhe: o Brasil pode sofrer represália dos parceiros porque este tipo de barreira protecionista pode ser imposta contra o Brasil também. O governo está fazendo isso porque está assustado com o déficit comercial de janeiro - que já passou de US$ 800 milhões. Mas o tiro pode sair pela culatra.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Universidade de Évora - II SIMELP

Repassando...

Para maiores informações sobre o evento: http://www.simelp2009.uevora.pt/

Elefante e chave: viagens


Tirei uns dias para descansar. Exatos sete dias. Fui para meu refúgio. Na bagagem, A viagem do elefante, do Saramago e A chave de casa de Tatiana Salem Levy. Revi meu jardim e minha rede de esparramar preguiça. E foi nela que pude fazer essas boas leituras.

Textos de estilos e técnicas completamente diferentes. Saramago, com a pontuação que eu ouço quando leio, leva por uma divertida e absurda viagem/presente do rei D. João III, um elefante Salomão e depois Solimão, a ser dado ao arquiduque austríaco Maximiliano II. Todo o tempo, procurando manter o controle sobre o leitor, Saramago se porta como um ourives a aperfeiçoar seu campo de trabalho. O resultado é precioso.

O texto da Tatiana Salem Levy, finalista do Prêmio Jabuti e agraciado com Prêmio São Paulo de Literatura para autor estreante, é intenso e bem estruturado. Numa espécie de resgate de sua história e da de sua família, ela leva o leitor a percorrer, junto, uma emocionada viagem de reencontro.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O drama dos tremas...

O amigo Cláudio Cesar Henriques, autor de um livro sobre a nova ortografia, que já divulgamos aqui, enviou este divertido vídeo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Dois olhos e uma boca

Estou acompanhando a bela e comovente minissérie que traz a oportunidade de repensar Maysa. Aqui, um poema de Bandeira para ela e um vídeo que permite rever a sua intensidade dramática cantando Ne me quittes pas. Já postei anteriormente no blog (01/11/08) a interpretação do criador, Jacques Brel, e de Patricia Kaas & Maurane em homenagem a ele.
MAYSA

Um dia pensei um poema para Maysa
“Maysa não é isso
Maysa não é aquilo
Como é então que Maysa me comove me sacode me buleversa me hipnotiza?

Muito simplesmente
Maysa não é isso mas Maysa tem aquilo
Maysa não é aquilo mas Maysa tem isto
Os olhos de Maysa são dois não sei quê dois não sei como diga dois Oceanos Não-Pacíficos

A boca de Maysa é isto isso e aquilo
Quem fala mais em Maysa a boca ou os olhos?
Os olhos e a boca de Maysa se entendem os olhos dizem uma coisa e a boca de Maysa se condói se contrai se contorce como a ostra viva em que se pingou uma gota de limão
A boca de Maysa escanteia e os olhos de Maysa ficam sérios
meu Deus como os olhos de Maysa podem ser sérios e como a boca de Maysa pode ser amarga!
Boca da noite (mas de repente alvorece num sorriso infantil inefável)”

Cacei imagens delirantes
Maysa podia não gostar
Cassei o poema.

Maysa reapareceu depois de longa ausência
Maysa emagreceu
Está melhor assim?

Nem melhor nem pior
Maysa não é um corpo
Maysa são dois olhos e uma boca
Essa é a Maysa da televisão
A Maysa que canta
A outra eu não conheço não
Não conheço de todo
Mas mando um beijo para ela.

Manuel Bandeira in “Estrela da Vida Inteira”, 3ª edição, Livraria José Olympio Editora, 1973.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

ALARCÃO

O ilustrador Renato Alarcão, um dos articulistas do livro O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil - com a palavra o ilustrador, apresentou o livro como forma de presente em seu blog. O "prêmio" já foi entregue, mas vale conferir, visitar o site e também ler seu excelente artigo no livro.
http://alarchronicles.blogspot.com/2008/12/seu-primeiro-presente-de-2009.html

O quereres...

Erro? Chico e Caetano juntos são só acerto. Bom de rever.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Paisagens Neuronais

Repassando. Clique sobre o convite.

sábado, 3 de janeiro de 2009

As pessoas sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
Porque cheira a pobre cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra.

«Ganharás o pão com o suor do teu rosto»
Assim nos foi imposto
E não:
«Com o suor dos outros ganharás o pão»

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheiros de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Réveillon em Copa

Contrariando as previsões, faz um lindo dia de sol aqui no Rio. Moro no Leme e desde cedo está o maior movimento, seguindo a rotina de todo réveillon, a saber: Logo cedo o reboque da prefeitura começa a tirar os carros da rua. Os vendedores de flores chegam sempre na véspera e é um tal de palma de Santa Rita, galho de arruda, rosa vermelha, branca, rosa ... e um buzinaço por vezes ensurdecedor. Aí já é por conta dos enlouquecidos guardas de trânsito, que precisam organizar a passagem da multidão e carros, com o mínimo de estrago possível. Ônibus que nunca vi antes passam pela minha rua, que é estreita e calma, contribuindo grandemente para o caos. O supermercado Zona Sul, faz juz ao nome. Parece o último dia de comida da terra. Todos compram tudo num frenesi contínuo e desarticulado. A padaria e o mercadinho Sampaio, normalmente ilhas de tranquilidade, parece que vão explodir a qualquer momento jorrando gente para todo lado. E os camelôs? Um caso a parte. Vendedores de branco de última hora: túnicas, vestidos, cuecas, camisetas com a estampa 2009 em prateado, arquinhos luminosos para o cabelo... tem de tudo, freguês...
A praia recebe barracas de camping, garrafas, flores e flores... Entrar para um mergulho é correr o risco de sair com uma rosa enfiada em algum lugar.
Ainda não começou o som oficial. São 15h30min. Só alguns tambores e cantos isolados. O povo animado aguarda 2009. Das esperanças, das realizações, da felicidade...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Iluminadas!

Considero modelares e atualíssimas estas duas reflexões de Voltaire:

Perdoar aos nossos inimigos as suas virtudes - este sim é um grande milagre.

Para ter sucesso neste mundo não basta ser estúpido, é preciso também ter boas maneiras.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Le Clézio e Debussy


Acabei de ler o amigo oculto: uma tradução do Poisson d'Or do J. M.G Le Clézio, prêmio Nobel de Literatura 2008, feita por Maria Helena Rodrigues de Souza, publicado pela Companhia das Letras sob o título Peixe Dourado. Não é o melhor livro que já li, mas sem dúvida é uma leitura que recomendo. Abaixo, posto o Poisson d'Or de outro francês, mais do que recomendável, Claude Debussy, na bela apresentação de Spencer Myer. De forma curiosamente mágica, a intensidade dramática do texto de Le Clézio se cruza com a musicalidade de Debussy. É ler, ouvir e conferir.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Sarkozy e a ortografia

O presidente Sarkozy está aqui no Rio. Seria curioso saber o que ele pensa da possibilidade de uma reforma ortográfica do francês, como cogitam alguns por lá. Ao que parece, não somos só nós que estamos nos vendo às voltas com a reforma ortográfica. Essa questão está em pauta na França e estas duas matérias, publicadas no Le Monde, mostram o nivel de inquietação de alguns franceses com esse problema. Voilà!

Orthographe, tu me tues, et tu meurs avec moi
par Nicolas Germain, Webmaster
08.12.08
Lyon, un lycée, rencontre des parents avec les professeurs. Les enseignants se succèdent en ordre parfait, les sciences dures d'abord, priorité de l'éducation nationale depuis quelques décennies, les molles ensuite, puis les disciplines d'éveil enfin, je veux dire le français et les langues. Pourtant, chaque nouvelle intervention enfonce un peu plus l'assistance dans la torpeur. Ça ne ronfle pas encore, mais ça devrait à force de discours usés, peu mieux faire, classe agréable mais peu travailleuse, faut se ressaisir... Soudain, un mot tinte à l'oreille de l'assemblée : orthographe. Je ne sais plus qui l'a prononcé, un parent, un prof, peu importe, les deux mondes parlent à l'unisson et se serrent la main au moindre poncif à reluire. Et voilà que la classe toute sage s'anime drôlement.

Les accusations fusent, halte aux textos, mort aux jeux vidéo, la faute à la société de l'image. Les index menaçants voltigent et battent la mesure d'une discussion devenue vive au son du clairon. Voilà papa, maman et le prof au garde-à-vous devant l'orthographe, le Bescherelle de la conjugaison sous la main en place de bible. Au loin le canon tonne, c'est la guerre, les règles de grammaire et leurs cohortes d'exceptions prêtes à envahir le cerveau de nos chers enfants. L'heure est grave, ils ne savent plus écrire.

J'ignore si le mot orthographe déclenche le même effet chez les anglais, ou les espagnols. Un ami brésilien me dit un jour : "Vous les français, quand on vous demande un renseignement dans la rue, vous commencez par corriger la question avant de répondre." Oui, je crois aussi que les français ont une relation douloureuse avec leur langue et son orthographe. Il faut bien dire que cette dernière n'a pas évolué, à quelques réformettes près, depuis le début du XIXème siècle. Notre orthographe est celle de Victor Hugo.

Nous pourrions nous en enorgueillir. Seulement, est-il acceptable qu'une société fige ainsi la forme écrite de sa langue alors que sa forme orale s'adapte comme il convient au fil du temps ? D'autant que ces dernières années, l'Internet a réhabilité l'usage de l'écrit que l'on croyait dépassé par la télévision et le téléphone. De nos jours, n'importe quel adolescent tient son blog, participe à des forums de discussion, ou chatte. L'ado moderne écrit plus qu'il ne parle.
Les conservatismes sont féroces. Le Petit Robert, dictionnaire qu'on ne présente plus, entretient le scandale par son édition 2009, laquelle propose deux orthographes différentes de mots pourtant réformés depuis 1990. Le combat pour une orthographe conservée dans la naphtaline n'est donc pas - seulement - un combat anti-ado.

À la complexité de l'orthographe française, ou plutôt son absence d'homogénéité, se rajoute un manque chronique de temps à son (ré-)apprentissage. Beaucoup de gens renoncent à utiliser un mode, un temps ou un mot ne sachant pas ou plus l'écrire, et par crainte de la faute d'orthographe, désastreuse, capable à elle seule de transformer une prose limpide en torrent de boue.

Heureusement, les ados d'aujourd'hui se montrent moins complexés que leurs aînés, une chance pour notre langue. Les textos, par leur nécessaire concision rendent un service inestimable à notre société. L'usage du texto dépénalise l'usage du français. Rien de moins. Naturellement, les messages véhiculés ainsi ne dépassent pas le stade du grognement préhistorique. Soit. Il s'agit d'une ouverture, d'une prise de conscience, d'un début ouvert sur des horizons moins culpabilisateurs.

Je milite pour une réforme rapide et profonde de l'orthographe. Car l'orthographe, celle-là même qui n'existe plus et que nous apprenons encore, nous fait du mal et nous tue. Le français s'enrobe peu à peu d'une cire mortifère. À ne pas l'admettre, nous finirons tous au musée Grévin. Dans quelle langue seront rédigées les notices?

Les français : insouciants meurtriers de leur langue
par Vincent Métivier, Etudiant

10.12.08
Je souhaite réagir à la chronique de M. Nicolas Germain, publiée le 08/12/08 et intitulée "Orthographe, tu me tues, et tu meurs avec moi". L'opinion qu'il exprime me paraît révélatrice d’une tendance générale à la glorification d’une pseudo évolution de la langue française, encourageant ainsi son inexorable appauvrissement. "Appauvrissement", le mot est faible, "dégénérescence" voire "agonie" seraient plus justes, tant les phénomènes qui concourent à sa ruine - avec succès - ont des effets violents.
Il faut d’abord remarquer la perte complète et effective d’intérêt de la part de la population française pour sa langue, et si des résistances "conservatrices" arrivent encore aujourd’hui à faire entendre leur voix, elles n’émanent que d’une minorité relativement élitiste, attachée à la préservation d’un bien culturel fondamental. Ce mouvement de reniement se retrouve jusque dans les hautes instances de l’Etat, puisque la politique menée depuis 20 ans sur ce sujet, par les gouvernements de droite comme de gauche, ne fait que soutenir le dépeçage du français.
N’est-ce pas l’Etat qui mit en place cette monstrueuse réforme de l’orthographe– à la manière allemande – en 1990 ?
Le dessin ironique de Plantu paru en Une du Monde à l’époque, est particulièrement représentatif de l’absurdité de cette réforme : on y voit François Mitterrand en haut d’un précipice clamer à un groupe d’Africains en contrebas "à abîme, il n’y a plus d’accent circonflexe !", et ceux-ci de répondre "Ah ! Enfin", comme si tout le monde avait pour préoccupation essentielle le changement d’orthographe du mot "abîme".
N’est-ce pas aussi l’Education nationale qui grignote un peu plus chaque année les heures des cours fondamentaux, tels que le français ou l’histoire, pour permettre d’accroître les plages horaires des cours de langues étrangères, dont l’enseignement connaît en France un échec cuisant ? Pensez d’ailleurs qu’un bachelier ayant pour première langue l’anglais, n’est toujours pas bilingue au bout de 7 ans d’apprentissage !
Ainsi, tous ces écoliers pour qui l’apprentissage du Français se restreint, viendront alimenter la masse déjà importante d’étudiants et de cadres incapables de rédiger une dissertation ou une lettre de motivation sans fautes d’orthographes. Que dire de notre société de communication qui, pour des raisons de rapidité, pousse les "têtes blondes" à l’écriture phonétique ? Les textos sont l’illustration parfaite de l’émancipation anarchique actuelle vis-à-vis des règles orthographiques et grammaticales, jugées trop strictes, trop rigides, et finalement inutiles.Que dire également du rouleau compresseur que constitue l’anglais mondialisé pour notre petite langue (dont le nombre de locuteurs se réduit chaque jour) ?
Face à ce déferlement d'uniformisation, la réforme de 1990 à sans conteste un objectif simplificateur (sans rien clarifier), pour éliminer les éléments orthographiques hors du commun, et pour tenter de franciser plusieurs mots anglophones.Finalement, la pauvreté et la léthargie d’une langue se mesurent à son incapacité à former de nouveaux mots, et à la quantité de ses emprunts aux vocables étrangers. Edgar Poe n’était-il pas obligé à la fin du XIXe siècle d’utiliser bon nombre de mots et expressions français pour exprimer sa pensée de manière concise ? On ne devrait donc pas être fier aujourd’hui d’écrire le Français de la même façon que Voltaire ou Victor Hugo ? Il faudrait faire fi de l’héritage historique incarné par les accents circonflexes, les cédilles, et autres bizarreries orthographiques.
Mettons alors directement l’étymologie et les étymologistes au bûcher !Les individus du XXIe siècle sont-ils trop paresseux pour apprendre quelques règles, comme l’on fait avant eux tant de générations d’écoliers ? Sous les prétextes fallacieux de la complexité et de l’archaïsme, il faudrait ainsi rogner chaque mot. Non, on ne peut l’accepter, la langue française doit être vivante mais doit rester dans ses cadres raisonnables. Je me gausse de tous ces anglicismes, qui par un effet de mode (je n’ose dire de soumission) sont mis en avant haut et fort. Je m’insurge contre les petits massacres quotidiens et volontaires de notre langue qui n’ont en définitve aucun intérêt. Je m’alarme de la lente déperdition d’un savoir ayant obtenu un statut officiel en 1539 et qui fut codifié un siècle plus tard.
Qu’on me qualifie de conservateur si l’on veut, je continuerais d’écrire "abîme" et "paraître" avec un accent circonflexe ; "réglementaire" avec un accent aigu ; "amoncellement" avec deux "l" et "porte-monnaie" avec un tiret ; même si désormais, pour tous les mots que je viens de citer, il est conseillé d’observer la nouvelle, absurde, et artificielle orthographe de la réforme de 1990.
Tout cela me donne de l'eczéma, mais non, pardon, il faut maintenant écrire "exéma" ! Faut-il alors en rire ou en pleurer ?