sábado, 25 de junho de 2011

Leitura, Literatura & Crítica

Está no ar a entrevista que dei a Thiago Pininga da Revista NotaPe.
http://notape.com.br/blog/?p=2714

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Sobre o Salão do Livro da FNLIJ 2011

Gostei muito de participar, como sempre, do Salão do Livro da FNLIJ. Encontrei-me com leitores e revi amigos queridos.








Reencontro com o Bartô (Bartolomeu Campos de Queirós)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

CONVITE

Amigos, vou ficar imensamente feliz com a presença de vocês!




segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tempo...

Amigos, ando sumida aqui do blog por conta de algumas atividades que estão exigindo bastante de mim. Em breve trago novidades.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Aniversário do Leme - Ritual de delicadeza



Hoje o meu querido Leme faz 117 anos. Para comemorar, serão distribuídas 1400 Shorinkas (pequenas ikebanas) no bairro. Tive a alegria de participar da elaboração de alguns desses arranjos. Uma delícia mexer com flores. Parece que a alma da gente fica mais bonita.

Postei esse texto hoje no Facebook juntamente com a foto do Leme. Recebi da Professora Aglacy Mary um outro post recriando e comentando a foto enviada. Em meu nome e de todos os moradores do Leme agradeço sua delicadeza.

sábado, 19 de março de 2011

Faces de Eva


Estive em Portugal onde fiz uma palestra na Universidade Nova de Lisboa. Em seguida, fui convidada por Ana Raquel Fernandes a dar uma entrevista para a revista Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher. A revista está disponível no site:


A entrevista segue abaixo.

1. Ieda Oliveira é ficcionista, compositora e professora/investigadora. É fácil conciliar a sua vida de criadora com a sua actividade académica?
R: Acho que sim. Para mim são atividades complementares.

2. Revê-se sobretudo no seu papel de escritora ou no de professora e investigadora?
R: Não sei se no papel. Diria: respirando, existindo como escritora, que tomou de assalto o espaço reservado à professora. Em mim a pesquisa direciona a intuição, alucinada, para a observação calma do fenômeno. Passado o tempo de análise, ela se desloca para o imponderável espaço da criação.

3. Como lida com a palavra enquanto criadora?
R: Como desafio. Como um jogo de vida e morte, em que é preciso arriscar o sentido, mesmo sabendo-o fugidio. Como um exercício contínuo de paciência e paixão.

4. Como surgiu esse seu interesse pela Literatura Infantil?
R: Foi após o convite para musicar um livro infantil. À medida que compunha as músicas, ia envolvendo-me mais e mais com esse universo. Não foi uma coisa premeditada, foi acontecida.

5. A música é uma paixão que completa a sua actividade enquanto ficcionista?
R: Sem dúvida. Ela vai aonde a palavra não chega. É um espaço de quase libertinagem.

6. Foi responsável pela organização do livro O que é Qualidade em Literatura Infantil e Juvenil: com a Palavra o Escritor (Ed. Difusão Cultural do Livro – DCL, 2005). Quais os aspectos que determinam a qualidade num livro de Literatura Infanto-Juvenil?
R: Penso que alguns fatores são vitais para uma literatura infantil de qualidade. O primeiro deles é a consciência de que se está produzindo literatura, o que significa que o livro infantil não é espaço para se ditarem, simuladamente, normas de conduta para crianças ou jovens. Acredito que é de vital importância estimular a fantasia do leitor, não só pela paixão que daí advirá pela leitura, mas também porque, seguramente, estar-se-á contribuindo para o surgimento de um áugure, alguém capaz de, ao pousar o olhar sobre as coisas, inaugurar sentidos. É função de uma literatura infantil que se quer de qualidade ser clara e bela. É preciso que o léxico e a sintaxe empregados sejam acessíveis ao pequeno leitor. Metáforas sofisticadas cuja compreensão lhes escape perdem a função. Escrever um texto criativo, de grande qualidade estética e legível ao olhar de seu leitor é o desafio do escritor de literatura infantil e juvenil.

7. Na sua dissertação de doutoramento abordou a questão do contrato de comunicação na Literatura Infantil e Juvenil (O Contrato de Comunicação da Literatura Infantil e Juvenil, Ed. Nova Fronteira, 2003). De que modo o discurso é condicionado neste género de literatura?
R: Em minha tese de doutorado, orientada pela Professora Doutora Nelly Novaes Coelho e defendida na Universidade Estado de São Paulo (USP) em 2003, levanto a seguinte questão: Quem é o leitor do livro infantil? O mais óbvio e típico é a criança, mas o processo de produção e fruição desse tipo de literatura passa necessariamente por no mínimo três categorias de adultos: os críticos, os adultos da família (pais, avós e outros) e os professores. No Brasil, pelo menos, a aprovação da obra infantil pelo professorado desempenha papel importante, às vezes decisivo, no processo que leva ao sucesso ou insucesso de uma obra desse gênero. O desafio do escritor que se dedica a ele, portanto, consiste em, se possível, “agradar” a todos esses leitores potenciais, principalmente à criança, o que por si já molda em grande parte o contrato de comunicação desse gênero, em cuja produção temos de nos movimentar num espaço “apertado”, ou seja (para usar o termo adotado por Charaudeau), numa margem de manobra estreita.

8. Actualmente organiza um livro intitulado O que é qualidade em Literatura Infantil e Juvenil – com a Palavra o Educador. Qual o papel da Literatura e da Leitura na Educação?
R: Leitura e literatura andam de mãos dadas com a educação, no sentido etimológico do termo. Como é sabido, o verbo educar significa etimologicamente “trazer para fora”, ou seja, despertar conteúdos que já existem de forma potencial na mente do estudante. Nesse sentido, a leitura de uma obra literária educa, ao permitir que o leitor tenha sua visão de mundo apurada e ampliada.

9. Em que medida a Literatura Infanto-Juvenil se revela fundamental na descoberta e formação da identidade da criança e do jovem?
R: Penso que a literatura, oferecendo múltiplos olhares sobre o mundo, estimula a fantasia e o desejo de descoberta.

10. A ilustração nos livros de Literatura Infantil e Juvenil é tão importante como o texto apresentado. No entanto, nem sempre se dá a devida atenção a esta arte. A Ieda organizou o livro O que é Qualidade em Ilustração no Livro Infantil e Juvenil: com a Palavra o Ilustrador (Ed. Difusão Cultural do Livro – DCL, 2008), colaborando com ilustradores portugueses, Teresa Lima, João Vaz e Gémeo Luís. Como se chega a uma narrativa da imagem?
R: Não sei exatamente a importância que é dada aos ilustradores em Portugal, posso falar do que constato no Brasil. A presença do ilustrador, dependendo da faixa etária a que o livro se destine, é de vital importância. O bom ilustrador sempre dialoga com o texto e o enriquece com novas possibilidades de leitura. A ilustradora brasileira Ciça Fittipaldi, em seu artigo nesse livro, diz que “toda imagem tem alguma história para contar. Essa é a natureza narrativa da imagem. Suas figurações e até mesmo formas abstratas abrem espaço para o pensamento elaborar, fabular e fantasiar”. Pois é, nada melhor que ouvir a voz do ilustrador, não?

11. A correspondência entre texto e imagem é essencial para uma qualidade estética da Literatura Infantil e Juvenil?
R: Sim, mas, sabendo que são dois olhares e duas expressões distintas. O ilustrador não é um reduplicador pela imagem do texto que ilustra. É um criador que expressa o texto por meio de seu olhar, em completa liberdade.

12. A Ieda está interessada numa visão global da Literatura Infanto-Juvenil, designadamente, de expressão portuguesa. Tem produzido muito no Brasil, tem colaborado com escritores portugueses, por exemplo, Alice Vieira, e escritores angolanos, como é o caso de Maria Celestina Fernandes. Que relações estabelece entre estas três realidades (Brasil, Portugal e África) tão diferentes entre si? Que aspectos a surpreenderam?
R: Na realidade, a Alice Vieira, a Maria Celestina e outros inúmeros escritores é que têm generosamente contribuído com o nosso projeto, cujo objetivo é ajudar professores, agentes de leitura, estudiosos e interessados em literatura infantil e juvenil a compreender mais apuradamente essa produção destinada a crianças e jovens. Assim como participam escritores, ilustradores e educadores das mais variadas regiões do Brasil, para que se alcance uma visão a mais ampla possível, estendemos o olhar para Portugal e África. O que posso dizer é que o Brasil é Portugal e é África, e isso corre em nossas veias.

13. Quando começou o seu interesse pelo universo da Literatura Infanto-Juvenil em Portugal?
R: Em 1992, num curso de especialização em Literatura Infantil e Juvenil que fazia. Já havia lido textos de autores portugueses produzidos para crianças, mas, quando li Graças e Desgraças na Corte de El Rei Tadinho da Alice Vieira, fiquei fascinada e foi grande a motivação para ler mais da obra dela e de outros escritores portugueses.

14. Quais as diferenças entre o panorama da Literatura Infanto-Juvenil no Brasil e em Portugal?
R: No Brasil e em Portugal, hoje, temos uma literatura produzida por grandes autores e de altíssimo nivel. Prefiro não citar nomes para evitar omissões imperdoáveis.

15. Qual o papel dos contadores de histórias na divulgação desta Literatura?
R: Falo da minha experiência: Quando criança, e ainda não sabia ler, fui introduzida no mundo da literatura por uma babá que era uma exímia contadora de histórias. Sabia muitas e muitas histórias e encantava minha mente com reis, rainhas, princesas, bichos falantes e histórias de assombração. Não me lembro de uma noite sequer em que não tenha dormido sob encantamento. Quando ela se casou e foi embora, eu já sabia ler, e ocupou o seu lugar uma outra babá, a Sheherazade e suas “Mil e uma Noites”. Esse passado construiu a máquina de sonhar que me faz escrever. Devo isso a uma contadora de histórias.

16. Actualmente considera que há um interesse crescente na criação e divulgação da Literatura Infantil e Juvenil?

R: Sem dúvida. As editoras têm investido muito na Literatura Infantil e Juvenil. Esse mercado propício atrai. A questão é que ainda paira uma mentalidade equivocada de que escrever para crianças é fácil e qualquer coisa está bem. Nossa preocupação é exatamente mostrar, na contra-mão desse equívoco, que escrever para crianças requer talento, conhecimento e domínio literário.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Cancelamento

Infelizmente cancelei minha viagem este ano para o Japão.

terça-feira, 15 de março de 2011

Japão

Tenho viagem marcada para o Japão em junho. Minha alegria nos últimos anos tem sido passar meu aniversário lá. Já não sei se será possível. Seria a quinta vez que viajaria ao país, que adoro.
De alguns amigos já tive notícias, de outros não. É corte na veia. Não consigo parar de sangrar.

O crédito da bandeira é de Susan Clayre

segunda-feira, 14 de março de 2011

ABZ do Ziraldo link

Quem desejar ver mais detalhes, não só de minha participação, mas também da de vários amigos no programa do Ziraldo, o link é o abaixo.
http://www.tvbrasil.org.br/abzdoziraldo/

sábado, 12 de março de 2011

Rhaimischimbilim!!!!

Emocionada, recebo de Ney Marques, diretor musical da Orquestra Bachiana Filarmônica, do Maestro João Carlos Martins, a notícia de que seu novo CD instrumental, a ser lançado este ano, receberá, em minha homenagem, o nome Rhaimischimbilim.

Rhaimischimbilim foi a primeira palavra que inventei em minha vida. Tinha 6 para 7 anos. Ela surgiu de minha necessidade de viver mundos imaginários, onde a música, a dança, o sonho, a fantasia enfim, pudessem reinar em sua inteireza, longe da banalidade do mundo exterior.

Era a palavra que abria as portas de meu imaginário e que me permitia ser tudo: cantora, bailarina, poeta, pássaro, princesa e viajante do tapete mágico, que me levava para além do mundo visível. Quando eu a pronunciava , todo o entorno desagradável deixava de existir.

Muitos anos mais tarde, adulta, retomei essa palavra, decifrando-a e fazendo vir ao visível o que permanecia apenas em meu silêncio. Foi quando escrevi meu primeiro livro, na ocasião publicado pela Ed. Ao Livro Técnico e hoje republicado pela ed. DCL, com o título Raimishimbilim - O Mistério da família Salles.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Bologna Book Fair 2011

Acabo de receber a feliz notícia que meu livro O Cheiro da Morte e outras Histórias, ed. Biruta, foi selecionado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para o catálogo dos livros que irão representar o Brasil na Feira de Bolonha, Itália. O catálogo está muito bonito . Vale a pena conferir no link abaixo.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ABZ do Ziraldo y otras cositas más...


Estou numa fase ¨braba¨de trabalho. Acabo de chegar de Sampa, onde fui gravar meu novo CD. Tivemos de atrasar a gravação por um dia por causa da tempestade que deixou a cidade sem luz. Ficamos no estúdio até as 22h30 esperando a luz voltar e nada. Tive de permanecer em São Paulo por mais um dia, empurrando todos os outros compromissos pra frente. Foi maravilhoso trabalhar com gente tão competente. Não posso contar nada por enquanto que é ¨segredo de Estado¨, mas tão logo possa, vocês serão os primeiros a saber. Posto uma foto do programa de meu encontro com o querido amigo Ziraldo. Figura fantástica. Ainda não sei quando vai ao ar. Hoje estou postando também minha agenda (provisória) para este ano. Duas viagens para o oriente na pauta. Coitados dos meus fusos!!!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

ABZ do Ziraldo


Acabo de chegar da gravação do ABZ do Ziraldo. Excelente equipe de produção. Divertidíssimo relembrar com o Ziraldo a farra em Cartagena quando ele cismou que o Helênio, meu marido, que é apenas professor, tinha cara de coronel. E olha que o Helênio insistiu: mas rapaz, mais civil que eu só mulher grávida! Não adiantou: a partir daí ele virou o coronel. Só tenho palavras para agradecer o tratamento carinhoso que recebi de todos.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Simpósio Internacional de Literatura Infantil e Juvenil

Irei participar, a convite de Tânia Rösing, do Simpósio Internacional de Literatura Infantil e Juvenil da UPF. Tenho certeza de que será uma semana muito proveitosa. Abaixo o link com a programação do evento.

domingo, 23 de janeiro de 2011

2011!!

Por falta de tempo o blog tem ficado meio de lado. Estou trabalhando muito. Em breve, conto.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Obrigada!!!

Aos amigos que acompanharam nosso blog durante todo o ano, muito obrigada. Desejo a todos imensas alegrias no novo ano que se aproxima. Boas festas!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Feira do Livro de Porto Alegre

A riqueza das inúmeras atividades e a promoção de encontros fantásticos com o público são fontes de grande alegria na Feira do Livro de Porto Alegre. Este ano não foi diferente. Tanto o encontro com o público jovem na Arena das Histórias quanto no Lendo pra Valer, na EEEF Fernando Ferrari, ou no Adote um Escritor, na EMEF Deputado Victor Issler, as experiências foram muito gratificantes.

Esse programa de leitura Adote um Escritor, que a Cãmara Rio-Grandense do Livro desenvolve, desde 2002, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre, acaba de ser agraciado com o Prêmio Joaquim Felizardo, que homenageia carreiras dedicadas à cultura da capital. Posto aqui algumas fotos dos encontros.


Com as professoras do EMEF Deputado Victor Issler, que realizaram um trabalho primoroso no Adote um Escritor



Conversando com os alunos e respondendo perguntas


Alunos do EMEF Deputado Victor Issler



Mesa com todos os meus livros, que foram adquiridos pela escola e lidos pelos alunos


Os alunos encenaram lindamente A Saga de Um Rei e este é o Rei Soft, protagonista da história.



Uma cena do personagem, ainda não rei, sendo orientado pela mulher de preto sobre as regras para se consquistar o poder.



O baile de máscaras


A professora do EMEF Deputado Victor Issler, responsável pela linda montagem do espetáculo.




No Lendo pra Valer,
encontro gratificante com crianças da EEEF Fernando Ferrari




Na Arena das Histórias, um gostoso bate-papo com o público


Na Arena de Histórias

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Novo livro chegando


Acabo de receber o PDF de meu novo livro que fará parte da coleção de fábulas que tenho na ed. Larousse. É O Leão e o macaco. Gostei muito, muito do resultado. As imagens do Maurício Veneza ficaram lindas e divertidíssimas. Eu disse ao Maurício que ele conseguiu uma coisa rara: ilustrar o livro exatamente como eu gostaria de vê-lo. Adorei. Espero que a criançada goste tanto quanto eu.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Quase estou de volta!

Queridos amigos que acompanham o blog: Fui obrigada a dar uma parada nas postagens por absoluta falta de tempo. Muita coisa aconteceu. Pretendo contar tão logo finalize um trabalho que está me absorvendo muito. Obrigada, muito obrigada pela visita de vocês. Um grande abraço a todos e até breve.

sábado, 30 de outubro de 2010

Hora do Conto


Hoje, sábado, 30 de outubro de 14:00 - 16:00, Jaqueline Sampaio estará apresentando a Hora do Conto.

Local:

Livrarias Curitiba - Shopping Palladium, Barigui, Curitiba e Estação

Programação:

BRUXA E FADA: MENINA ENCANTADA de Ieda de Oliveira, Ed. DCL, ME LIVRO DO TERROR de Cláudio Martins, Ed. FTD e CONTRA FEITIÇO, FEITIÇO E MEIO de Eloí Elisabete Bocheco, Ed. Paulinas.

Estão todos convidados.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Facebook

Estou, depois de grande resistência, no Facebook. O Rogério Andrade Barbosa me convenceu. O lado interessante é que encontrei muitos amigos e amigos me encontraram. Isso é sempre bom.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Peter Hunt

Reproduzo aqui a entrevista concedida ao Globo (Prosa Online) por Peter Hunt, um dos maiores estudiosos mundiais da literatura infantil, fundador e professor da cadeira na Cardiff University, na Grã-Bretanha. Hunt é autor de Crítica, teoria e literatura infantil, Ed. Cosac Naify, com tradução de Cid Knipel Moreira e texto de orelha de João Luís Ceccantini .


O senhor acha que os livros infantis têm características muito peculiares que os distinguem de qualquer outro tipo de literatura que é feito? O que o senhor acha de moral da história, do politicamente correto, da mensagem que se tenta passar para a criança?

É perigoso generalizar sobre "livros para crianças" - provavelmente nunca generalizaríamos sobre (todos) os livros para adultos. Mas uma característica que todos os livros infantis compartilham é a ideia da "criança" ou da "infância". Essa pode ser a ideia do editor sobre o que é ser criança, da cultura de uma sociedade, ou a ideia do autor sobre uma criança real, talvez um ideal da infância, uma memória de criança ou uma memória de quando se foi criança (é bem complexo!). Seja lá o que for essa ideia, isso vai interferir em como será o livro. Alguns autores vão defender que crianças precisam de leveza, novidade e trabalhos experimentais; outros vão achar que crianças são 'simples' e então precisam de livros 'simples'; alguns autores acham que crianças precisam de desafios; há os que pensam que crianças vão precisar ter livros para se acostumarem a eles - para ser como qualquer outra pessoa. Sobre a "moral da história", é verdade: muitos livros infantis têm mesmo uma moral positiva ou um final feliz; e são politicamente corretos, porque seus autores sabem que estão (na maioria das vezes) escrevendo para um leitor menos experiente. Por isso acham que têm a responsabilidade de mostrar um bom comportamento ou uma mensagem boa. O problema que isso acarreta, claro, é que vai depender do que o autor vai acreditar como sendo politicamente correto.


Livros infantis precisam ser didáticos?

Porque há um desequilíbrio de poder nos livros infantis - em que o adulto autor está numa posição em que pode, efetivamente, influenciar o leitor -, é inevitável que autores adultos tentem expressar algum ponto de vista, queiram passar alguma mensagem. (TODOS os livros e TODOS os livros infantis têm alguma posição ideológica). No século passado, qualquer didatismo, ensinamento, posicionamento, tendia a ser disfarçado.


O que caracteriza um bom livro infantil?

Assim como qualquer outro livro, o que vai ser 'bom' vai depender do que você (ou sua cultura) define como 'bom'. Um bom livro, para mim, é desafiador, inovador, diferente (E isso é fácil quando o seu público não é tão experiente). Mas, independentemente de qualquer outra coisa (conteúdo, linguagem etc.), eu acho que um bom livro infantil é feito de respeito: há sempre um abismo entre a experiência do adulto autor e a do leitor criança. Então um bom livro infantil tem que negociar com esta lacuna, e isso só pode ser feito com o respeito, que vai partir do adulto. Um bom livro infantil é um livro que faz todos, adultos e crianças, pensarem. É claro que às vezes não é isso que você quer de um livro - um bom livro para ler no aeroporto ou tarde da noite pode ser apenas para distrair e não para fazer você pensar. E este é novamente o risco das generalizações.


Como o senhor escolhia os livros que suas filhas liam na infância?
Quando minhas filhas eram bem pequenas, os livros eram escolhidos de três maneiras. A primeira: eram livros que nós, como pais, amávamos e lembrávamos desde a nossa infância. A segunda: tentávamos acertar o livro de acordo com cada criança (que penso, e espero, conhecer), visando aos seus interesses e às suas características. Então costumávamos comprar livro que imaginávamos que elas iriam gostar ou livros que as ajudariam a entender o que precisam entender. Erramos muitas vezes - por isso tenho dúvidas de se é verdadeira a ideia de que se você gosta de um livro seus filhos necessariamente gostarão. A melhor lição é que as crianças só gostarão de alguma coisa se a elas for oferecida! E a terceira: deixávamos que elas escolhessem livros sozinhas. Uma vez ou outra, mas raramente, sugeríamos que um livro específico estava além da compreensão delas ou o conteúdo não as interessaria. Mas nunca - como muitas pessoas fazem - interrompemos a leitura das crianças porque não concordávamos com o ponto de vista expressado no livro (embora isso não seja realmente um problema até a adolescência) ou porque apresentava valores com os quais não compactuávamos. O resultado disso é que muitos dos livros preferidos de nossas filhas eram livros que nós achávamos triviais, ou que mostravam claramente que o autor não havia se empenhado bastante, ou que as ilustrações representavam o que achávamos que era o 'pior' de uma publicação comercial. Não acho que isso as tenha prejudicado - porque eram tantos e tantos livros. A mensagem aqui, eu acho, é que, se os pais compartilharem com os filhos seus valores culturais, a escolha dos livros infantis será autorregulada. E mais: quanto mais livros as crianças lerem, maior será a capacidade delas de escolha e de comparação. (Também não tínhamos em casa uma sala de televisão, o que aumentava o tempo dedicado à leitura).


Os livros que o senhor escolheu para sua primeira filha são diferentes dos livros que o senhor escolheu para sua quarta filha? Seu maior conhecimento sobre teoria da literatura infantil fez com que mudasse de opinião sobre os livros?

Não, não acho que houve uma diferença no tipo de livro. A maior diferença foi o número de livros: os livros que as minhas primeiras três filhas leram ainda pertenciam à nossa casa, e elas foram passando livros de uma para a outra. Então a quarta filha tinha uma quantidade muito maior (A caçula é sempre a mais esperta, porque as mais velhas cuidam de sua educação).


Que conselhos o senhor daria aos pais que querem acertar na escolha de livros para seus filhos? O que priorizar nesta seleção?

Este é um conselho fácil de dar e nem tão simples de ser seguido: PENSANDO!!!! Trate desta questão de escolher livros com seriedade. Se for seguir o conselho de outras pessoas (críticos, por exemplo), gaste um tempo avaliando se concorda ou não com a maneira como pensam. Esta não é uma ciência exata, e as pessoas muitas vezes se colocam como autoridades, quando todos, na verdade, têm suas próprias opiniões. Ainda assim, se tiverem experiência com crianças, as pessoas não serão todas as crianças, ou não serão a sua criança. Acima de tudo, olhe com atenção, pense bastante e decida o que você quer para o seu filho.


As livrarias brasileiras estão abarrotadas de livros infantis. Este é um mercado rentável? O que move tantos e tantos lançamentos?

O mercado de livro infantil é um dos mais rentáveis, sim, na Europa e em todos os países de língua inglesa, apesar do fato de os romances para as crianças venderem menos exemplares do que os para adulto. Isso ocorre porque normalmente se paga menos a autores infantis, porque o foco de marketing no público infantil é mais disperso (procura-se vender para todas as crianças e para uma faixa etária específica) e porque há dois compradores de livros infantis, os adultos e as crianças. Há duas razões para esta imensa quantidade de lançamentos. A primeira é porque, no mercado editorial de língua inglesa, há cinco ou seis editoras dominantes que competem entre elas em todos os gêneros - e por isso todas as listas de lançamentos se parecem muito. A segunda é financeira: as editoras infantis não mantêm uma lista grande de livros já lançados no estoque. As vendas e o lucro são medidos ano a ano e é preciso ter sempre lançamentos, que vão gerar lucro imediato e depois serão preteridos pelos livros novos.


Por que em seu livro o senhor chama a literatura infantil do Ocidente de retrógrada?
Acredito que há uma grande quantidade de livros interessantes, inovadores, escritos para crianças. Mas isso fica ofuscado por uma série de clonagem de livros, que promovem a mercantilização da infância. A maneira como a infância e as coisas relativas a ela são processadas pela indústria acaba se tornando mercadoria. É como os alimentos fast-food, que satisfazem os desejos imediatos do consumidor, mas não são saudáveis.


Que obras atuais da literatura infantil o senhor definiria como revolucionárias? Que autores brasileiros se destacam no cenário da literatura infantil mundial?

Os trabalhos mais revolucionários têm sido feitos em multimídia - e muitas vezes são desprezados porque são jogos - ou em filmes. Provavelmente, os dois escritores de maior destaque no cenário inglês são Terry Pratchett e Neil Gaiman - mas há muitos outros. Atualmente, o livro combina vídeo e internet para produzir uma experiência complexa na qual os leitores podem se tornar escritores. A segunda pergunta é muito difícil de ser respondida - e é até constrangedora. No Reino Unido e nos Estados Unidos, menos de 2% dos livros publicados para crianças são traduções de outra língua para o inglês e por isso pouquíssimos autores de outros países são conhecidos. Ana Maria Machado, por ter ganhado o prêmio Hans Christian Andersen, talvez tenha sido mais bem-sucedida.


Qual a importância da ilustração para o livro infantil?

É importante porque é importante. A imagem do livro tornou-se uma grande forma de arte, com seus próprios valores e complexidades. Livros que combinam palavras e imagens podem fornecer uma importante ponte entre a literatura visual e a verbal. Num mundo em que cada vez mais fornecem-se imagens a todos, em todos os lugares, elas talvez sejam úteis em fazer livros acessíveis e compreensíveis. No entanto, a grande força da narrativa escrita (em oposição ao cinema, ao vídeo, ao teatro) é que os leitores formam suas próprias imagens. Por isso, eu diria que, embora as figuras possam ser importantes para ajudar os leitores a começar, elas não são necessárias para o leitor já estabelecido.


Como fazer uma boa crítica de livros infantis? Como fazer uma crítica de livros infantis para as crianças, que elas leiam, gostem e se identifiquem?
Um crítico precisa decidir qual é o seu trabalho. Recomendar livros para pais que não têm tempo de fazer seu próprio julgamento? Neste caso, o crítico precisa conhecer seu público, e seus leitores também precisam conhecer o crítico. Ou apresentar livros, com entusiasmo, para pais que querem fazer sozinhos suas avaliações? De uma maneira geral, os críticos não deveriam fazer suposições do que uma única criança ou um grupo delas iria gostar de ler. O problema da crítica de livros infantis não é que o adulto não possa fazer julgamentos válidos, mas, sim, que às vezes o adulto não pode explicá-los. Os melhores críticos adultos precisam levar em conta o ponto de vista da criança.


As revistas em quadrinhos são importantes? Elas encorajam a leitura?

Sim e sim. Os gibis têm uma forma extremamente complexa de leitura e exigem uma habilidade considerável para ler. No entanto, pode produzir um tipo de leitura diferente (o mesmo vale para experiências multimídia.). Como você quer que seus filhos leiam vai determinar o que você pensa de formas diferentes. Minha opinião é que acesso equilibrado a livros, quadrinhos, vídeos vai produzir leitores com uma vasta gama de habilidades.


O senhor acha que ler qualquer coisa é bom para criar o hábito da leitura? Ou as crianças deveriam ler só livros de qualidade?

Pela minha própria experiência - e também pela de vários outros professores que conheço -, o hábito de ler qualquer coisa é vital: leitores vão descobrir o que é bom e o que é ruim, e poderão escolher sozinhos o que desejam ler. Além disso, dizer que há livros de qualidade presume que alguém, em algum lugar, sabe o que é universalmente bom. Não acho que isso seja bom quando lidamos com crianças. Fica parecendo que a boa literatura é algo diferente, exclusivo e, portanto, que o que a maioria das pessoas está lendo não é bom. Ou ainda levanta a dúvida de que a boa literatura é o que a escola indica, mesmo que você goste ou não, e que livros ruins são aqueles que você curte bem longe das salas de aula.


Como o senhor acha que a literatura pode beneficiar as crianças?
De várias maneiras: ajuda as crianças a aprender a ler e a gostar da leitura. Faz com que se relacionem com suas famílias e tornem-se parte de sua cultura. Amplia o campo de experiências e as ajuda a aprender a pensar. Traz prazer e cria desafios. O que mais podemos querer?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Em primeira mão

Entrou em gráfica o Bruxa e Fada - Caldeirão ou Varinha de Condão, ilustrado por Pink Weiner. Esta é a imagem de capa, sem a finalização de verniz. Estou curiosa para ver o resultado.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Fórum - Democratizando o saber

Encerramos o Fórum hoje com a presença lúcida do João Luis Ceccantini e da Alice Áurea Penteado. Fico muito feliz que nosso objetivo, que é o de levar para a sociedade a pesquisa acadêmica, divulgando-a e disponibilizando-a para todos e o de colocar frente a frente os criadores e o público num debate enriquecedor, tenha sido atingido. Sigo para o encerramento do PROLER em Caxias do Sul.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Bienal Paraná

Hoje começou o Fórum de Debates. Na primeira foto abaixo, o debate com a ilustradora Márcia Széliga e o cineasta Paulo Munhoz. Na segunda, o com as escritoras Heloisa Prieto e Cléo Busatto. Amanhã será o encontro com os educadores João Luis Ceccantini e Maria Alice Áurea Penteado.




domingo, 3 de outubro de 2010

Bruxa e Fada 2

O livro acima é o Bruxa e Fada Menina Encantada, primeiro da série.
Recebi o PDF do novo livro, Bruxa e Fada - Caldeirão ou Varinha de Condão, que dá sequência a ele. Muitos leitores queriam conhecer as aventuras de Maria, essa menina que surge do cruzamento de luz e trevas e que passa a ser conhecida como Menina Encantada.
Escrevi então a primeira aventura dela. O projeto gráfico e as ilustrações foram entregues pela Ed. DCL à Pink Weiner, responsável também pelo Bruxa e Fada Menina Encantada. Só posso dizer que gostei muito do miolo do livro. Ele será lançado este ano e estou aguardando ansiosa poder manuseá-lo. Tanto quanto o outro, as páginas se desdobram, abrindo-se em posters, num delicado trabalho de arte.

sábado, 2 de outubro de 2010

Brasil Sul

Na semana de 4 a 9 de outubro estarei participando da Bienal Paraná (Curadoria e mediação do Fórum de Debates) e do 17º PROLER – Encontro Estadual de Leitura em Caxias do Sul (Mediação da mesa com todos os oficineiros).



http://www.feiradolivrocaxias.com.br/

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sugestão de leitura

O livro de ensaios Hacia una literatura sin adjetivos de María Teresa Andruetto, Ed. Comunicarte, traz de maneira lúcida e poética uma avaliação do que pode ser considerado uma literatura de qualidade para crianças e jovens.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Alta Gracia

Após visitar alguns dos principais monumentos históricos da cidade de Córdoba, fiz a coisa de que mais gosto: sentir de perto a realidade do povo. Fui até o terminal rodoviário e peguei um buzão, de aproximadamente seis pesos (R$ 3,50), e fiz uma viagem de 45 minutos em direção à cidade de Alta Gracia, lugar onde viveu Che Guevara, cuja casa abriga hoje um museu com sua história. Uma sensação deliciosa a de percorrer junto com os moradores caminhos por mim ignorados. Tudo absolutamente plano e de uma paisagem seca. Em alguns momentos me lembrou a paisagem do cerrado. Um verde aqui e outro ali, com terreno irrigado, mas absurdamente atraente. Assim que cheguei fiquei um pouco apreensiva porque parecia uma cidade fantasma. Minha meta era saltar no ponto final, que seria a rodoviária de lá, para poder voltar. Só que as pessoas foram saltando e eu vi que o comércio estava fechado e as ruas, desertas. Pensei que talvez fosse feriado por lá, mas não. Fiquei sabendo então pelo motorista do ônibus que era a hora da sesta e que o pessoal só voltaria ao trabalho lá pelas 16 horas. O pior é que eu estava com uma baita fome e não tinha a menor idéia de como resolver isso. Aí, descobri na rodoviária um barzinho, meio boteco, meio lanchonete, meio qualquer coisa, que tinha um vendedor muito jovem e simpático, que me serviu um refrigerante chamado ¨Ser¨ e um sanduiche enorme. Foi a primeira vez que experimentei um refrigerante ontológico. Fiquei por ali pensando em como iria chegar até à Estancia Jesuítica, que queria visitar, e ao Museu Che Guevara. O rapaz me mostrou um mapa e vi que, com aquele sol de rachar, ia ser complicado chegar a meu destino. Perguntei se havia serviço de táxi e ele disse sim e prontamente ligou pedindo um. Em pouco tempo chegou o carro com um motorista bem humorado chamado Jesus. Falei pra ele: ¨senhor Jesus o senhor me ajuda a conhecer Alta Gracia?¨ e ele muito gentil disse: ¨sim e farei uma viagem sem exploração financeira, porque desde que nasci carrego o peso desse nome. Não é fácil ser Jesus¨. E assim fomos direto à casa do Che, depois seguimos para a Estancia Jesuítica, de lá para o belo lago em que nadavam patos e cisnes e finalizamos dando uma volta pela cidade. Ele me deixou de volta na rodoviária e eu retornei a Córdoba feliz e abençoada. Chegando, é claro, fui a pé para o hotel. Posto aqui algumas fotos do museu e outra da Estancia. Não consigo postar tudo.



Esta chama acesa é primeira coisa que vê ao entrar no Museu Che Guevara.
















Exposta uma Norton 1936 igual à que Che Guevara usou na viagem pela América Latina









quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Córdoba não esquece

Ao lado de monumentos que são patrimônio da humanidade, Córdoba conserva um outro monumento: A memória de seus desaparecidos, vítimas da repressão. Fiquei muito emocionada diante do prédio antigo, que traz em sua entrada formando impressões digitais, os nomes dos desaparecidos. Essa identidade atravessa a alma da gente. Nesse lugar, durante quase setenta anos, funcionaram diversas dependências da polícia de Córdoba. Nas décadas de sessenta e setenta, o Departamento de Informações da Polícia da Provínvia de Córdoba, conhecido como D2, transformou o lugar no centro de detenção dos prisioneiros políticos, que entre 1969 e 1983 foram sequestrados, torturados e executados pelas forças repressivas do Estado. Escrever no espaço público seus nomes significa para os cordobeses transformar o lugar em memória viva das vítimas e suas vidas serem gravadas como uma forma de dizer: Nunca mais!