quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Para nunca esquecer!

Todo dia é dia de Consciência Negra.




Navio Negreiro

Castro Alves

I

'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.

'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...

'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...

'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...

Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.

Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!

Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................

Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!

Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.


II


Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.

Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!

O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!

Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...


III


Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!


IV


Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...


V


Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...

Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.

Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...


VI


Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

54ª Feira do Livro de Porto Alegre - Parte 2

Como disse antes, vou postar aos poucos as atividades e saudades da Feira de Porto Alegre. Minha máquina pifou no meio do processo e estou recebendo fotos enviadas pelos amigos. Hoje, posto fotos de um livro feito pelas crianças, do Jardim A, da Escola Municipal de Educação Infantil Vila Elisabeth, recontando o Cigarra e Formiga Produções Artísticas, Ed. Larousse e também de alguns momentos na Feira.

Capa do livro

Desenho de uma das crianças recontando a história

Cada página de uma cor e a história contada por imagens

Reproduzi uma pequena parte. O livro tem muitas páginas. Uma de cada criança. É lindo.


Estas são duas superqueridas amigas: Cristina Biazetto e Gláucia de Souza, organizadoras do Traçando Histórias. Talento saindo pelos poros. Elas estão linkadas aqui. Conheçam o excelente trabalho das duas. Cris é ilustradora e Gláucia, escritora.

Depois continuo contando...

domingo, 16 de novembro de 2008

Entrevista

Amanhã, segunda-feira, entre 9h e 11h da manhã, vai ao ar a entrevista que dei ao programa Estúdio Brasil (Rádio Cultura AM de São Paulo) falando sobre o novo livro que organizei: O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil - com a palavra o ilustrador, Ed. DCL. Dá para ouvir pela internet: http://www.redeculturabrasil.com.br/sobream.htm.

sábado, 15 de novembro de 2008

Obama, Mia Couto e Tiken Jah Fakoly

A vitória do Obama, lida por Mia Couto, levou-me de volta à África e a tudo que vi por lá. Posto aqui Mia Couto e Tiken Jah Fakoly, vozes que denunciam as desigualdades de que pude ser testemunha.




Para quem não conhece, Fakoly, de etnia malinké, é descendente do chefe guerreiro Fakoly Koumba Fakoly Daaba e membro de uma família de griots, tradicionalmente vistos como os depositários da tradição oral de uma família, povo ou país. Obrigado a viver entre o Mali e a França, o porta-voz da jovem geração da Costa do Marfim ataca os regimes de alguns presidentes africanos, denunciando a injustiça, a corrupção e as desigualidades naquele continente. Fakoly canta em francês, inglês e dioula, a língua da sua etnia, falada no norte da Costa do Marfim, Guiné-Conacri, Mali e Burkina-Faso.

E se Obama fosse africano?

Por Mia Couto

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

Jornal "SAVANA" – 14 de Novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

54ª Feira do Livro de Porto Alegre - Parte 1

Foram dias de grande emoção. Como sempre, os encontros da Feira são fantásticos. Desta vez uma emoção a mais: a homenagem ao querido Elias José. Para mim foi difícil, dificílimo, ler o último texto teórico do Elias, enviado por ele, para ser incorporado à nova edição de O que é qualidade em literatura infantil e juvenil - com a palavra o escritor. Não conseguia ler. A imagem e o sorriso dele atravessavam meus olhos. Presente estavam todos os amigos escritores, ilustradores, editores, leitores, a esposa Silvinha e a filha Lívia. Depois da homenagem saímos para fazer o que o Elias mais gostava de fazer: comemorar. Uma turma grande.

Parte do pessoal: a mesa em "L" virava à esquerda

Em pé, Silvinha, esposa do Elias José, Ciça Fittipaldi, Anna Cláudia Ramos, Sérgio Alves, editor da Larousse, e em baixo, ao meu lado, Márcia Széliga.
Esta é a querida Lívia. Muito parecida com o pai, Elias José.

No dia 11/11, mediei uma mesa-redonda no Traçando Histórias, com a Ciça Fittipaldi e a Marilda Castanha, ilustradoras que fazem parte do livro que organizei, O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil - com a palavra o ilustrador, da Ed. DCL.


A minha direita Marilda Castanha e a esquerda Ciça Fittipaldi.


Depois continuo contando...









Feira do Livro de Porto Alegre

Começo a contar pelo último dia. Motivo: As fotos estão num CD que não estou conseguindo abrir. Esta estava na máquina. Cristina Biazetto e Gláucia de Souza comigo na foto, são queridíssimas amigas e duas estrelas de primeira grandeza. Cris é ilustradora e Gláucia, escritora. É delas a organização do "Traçando Histórias", exposição de ilustrações que reúne os mais expressivos ilustradores brasileiros.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Só para lembrar: he had a dream...




DISCURSO DE MARTIN LUTHER KING, JR.

"O discurso de Martin Luther King, pronunciado na escadaria do Monumento a Lincoln, em Washington, foi ouvido por mais de 250.000 pessoas de todas as etnias, reunidas na capital dos Estados Unidos da América, após a «Marcha para Washington por Emprego e Liberdade». A manifestação foi pensada como uma maneira de divulgar de uma forma dramática as condições de vida desesperadas dos negros no Sul dos Estados Unidos, e exigir ao poder federal um maior comprometimento na segurança física dos negros e dos defensores dos direitos civis, sobretudo no Sul.

Devido a pressões políticas exercidas pela Presidência dos Estados Unidos - ocupada por John Kennedy -, as exigências a apresentar no comício tornaram-se mais moderadas, mas mesmo assim foram feitos pedidos claros: o fim da segregação no ensino público, passagem de legislação clara no que respeita aos direitos civis, assim como de legislação proibindo a discriminação racial no emprego; para além do fim da brutalidade policial contra militantes dos direitos civis e a criação de um salário mínimo para todos os trabalhadores, que beneficiaria sobretudo os negros.

Realizado num clima muito tenso, a manifestação foi um estrondoso sucesso, e o discurso conhecido sobretudo pela frase permanentemente repetida no meio do discurso «I have a Dream» (Eu tenho um sonho), mas também pela frase que é repetida no fim - «That Liberty Ring» (Que a Liberdade ressoe), que retoma o poema patriótico «América», tornou-se, com o discurso de Lincoln em Gettysburg, um dos mais importantes da oratória americana.
Em 1964 a Lei dos Direitos Civis foi votada e promulgada por Lyndon B. Johnson e em 1965 a Lei sobre o Direito de Votar foi aprovada".

Martin Luther King, Jr. foi escolhido como Prémio Nobel da Paz no ano seguinte, em 1964.

«Que a liberdade ressoe!»

Five score years ago, a great American, in whose symbolic shadow we stand signed the Emancipation Proclamation. This momentous decree came as a great beacon light of hope to millions of Negro slaves who had been seared in the flames of withering injustice. It came as a joyous daybreak to end the long night of captivity. But one hundred years later, we must face the tragic fact that the Negro is still not free.

One hundred years later, the life of the Negro is still sadly crippled by the manacles of segregation and the chains of discrimination. One hundred years later, the Negro lives on a lonely island of poverty in the midst of a vast ocean of material prosperity. One hundred years later, the Negro is still languishing in the corners of American society and finds himself an exile in his own land.

So we have come here today to dramatize an appalling condition. In a sense we have come to our nation's capital to cash a check. When the architects of our republic wrote the magnificent words of the Constitution and the Declaration of Independence, they were signing a promissory note to which every American was to fall heir.

This note was a promise that all men would be guaranteed the inalienable rights of life, liberty, and the pursuit of happiness. It is obvious today that America has defaulted on this promissory note insofar as her citizens of color are concerned. Instead of honoring this sacred obligation, America has given the Negro people a bad check which has come back marked "insufficient funds." But we refuse to believe that the bank of justice is bankrupt. We refuse to believe that there are insufficient funds in the great vaults of opportunity of this nation.
So we have come to cash this check -- a check that will give us upon demand the riches of freedom and the security of justice. We have also come to this hallowed spot to remind America of the fierce urgency of now. This is no time to engage in the luxury of cooling off or to take the tranquilizing drug of gradualism. Now is the time to rise from the dark and desolate valley of segregation to the sunlit path of racial justice. Now is the time to open the doors of opportunity to all of God's children. Now is the time to lift our nation from the quicksands of racial injustice to the solid rock of brotherhood.

It would be fatal for the nation to overlook the urgency of the moment and to underestimate the determination of the Negro. This sweltering summer of the Negro's legitimate discontent will not pass until there is an invigorating autumn of freedom and equality. Nineteen sixty-three is not an end, but a beginning. Those who hope that the Negro needed to blow off steam and will now be content will have a rude awakening if the nation returns to business as usual. There will be neither rest nor tranquility in America until the Negro is granted his citizenship rights.
The whirlwinds of revolt will continue to shake the foundations of our nation until the bright day of justice emerges. But there is something that I must say to my people who stand on the warm threshold which leads into the palace of justice. In the process of gaining our rightful place we must not be guilty of wrongful deeds. Let us not seek to satisfy our thirst for freedom by drinking from the cup of bitterness and hatred.

We must forever conduct our struggle on the high plane of dignity and discipline. we must not allow our creative protest to degenerate into physical violence. Again and again we must rise to the majestic heights of meeting physical force with soul force.
The marvelous new militancy which has engulfed the Negro community must not lead us to distrust of all white people, for many of our white brothers, as evidenced by their presence here today, have come to realize that their destiny is tied up with our destiny and their freedom is inextricably bound to our freedom.

We cannot walk alone. And as we walk, we must make the pledge that we shall march ahead. We cannot turn back. There are those who are asking the devotees of civil rights, "When will you be satisfied?" we can never be satisfied as long as our bodies, heavy with the fatigue of travel, cannot gain lodging in the motels of the highways and the hotels of the cities. We cannot be satisfied as long as the Negro's basic mobility is from a smaller ghetto to a larger one. We can never be satisfied as long as a Negro in Mississippi cannot vote and a Negro in New York believes he has nothing for which to vote. No, no, we are not satisfied, and we will not be satisfied until justice rolls down like waters and righteousness like a mighty stream.

I am not unmindful that some of you have come here out of great trials and tribulations. Some of you have come fresh from narrow cells. Some of you have come from areas where your quest for freedom left you battered by the storms of persecution and staggered by the winds of police brutality. You have been the veterans of creative suffering. Continue to work with the faith that unearned suffering is redemptive.

Go back to Mississippi, go back to Alabama, go back to Georgia, go back to Louisiana, go back to the slums and ghettos of our northern cities, knowing that somehow this situation can and will be changed. Let us not wallow in the valley of despair.

I say to you today, my friends, that in spite of the difficulties and frustrations of the moment, I still have a dream. It is a dream deeply rooted in the American dream.

I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident: that all men are created equal."

I have a dream that one day on the red hills of Georgia the sons of former slaves and the sons of former slaveowners will be able to sit down together at a table of brotherhood.

I have a dream that one day even the state of Mississippi, a desert state, sweltering with the heat of injustice and oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.

I have a dream that my four children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.

I have a dream today.

I have a dream that one day the state of Alabama, whose governor's lips are presently dripping with the words of interposition and nullification, will be transformed into a situation where little black boys and black girls will be able to join hands with little white boys and white girls and walk together as sisters and brothers.

I have a dream today.

I have a dream that one day every valley shall be exalted, every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight, and the glory of the Lord shall be revealed, and all flesh shall see it together.
This is our hope. This is the faith with which I return to the South. With this faith we will be able to hew out of the mountain of despair a stone of hope. With this faith we will be able to transform the jangling discords of our nation into a beautiful symphony of brotherhood. With this faith we will be able to work together, to pray together, to struggle together, to go to jail together, to stand up for freedom together, knowing that we will be free one day.

This will be the day when all of God's children will be able to sing with a new meaning, "My country, 'tis of thee, sweet land of liberty, of thee I sing. Land where my fathers died, land of the pilgrim's pride, from every mountainside, let freedom ring."
And if America is to be a great nation, this must become true. So let freedom ring from the prodigious hilltops of New Hampshire. Let freedom ring from the mighty mountains of New York. Let freedom ring from the heightening Alleghenies of Pennsylvania!

Let freedom ring from the snowcapped Rockies of Colorado!
Let freedom ring from the curvaceous peaks of California!
But not only that; let freedom ring from Stone Mountain of Georgia!
Let freedom ring from Lookout Mountain of Tennessee!
Let freedom ring from every hill and every molehill of Mississippi.
From every mountainside, let freedom ring.

When we let freedom ring, when we let it ring from every village and every hamlet, from every state and every city, we will be able to speed up that day when all of God's children, black men and white men, Jews and Gentiles, Protestants and Catholics, will be able to join hands and sing in the words of the old Negro spiritual, "Free at last! free at last! thank God Almighty, we are free at last!"

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Presidente americano negro! Lobato profeta? 2008 ou 2228?



Fiquei particularmente feliz e esperançosa com a vitória do Barack Obama. A primeira coisa que lembrei foi do texto de Monteiro Lobato O Choque das Raças ou O Presidente Negro. Para quem não conhece, é o título de uma novela de ficção científica de Monteiro Lobato, publicada em 1926, em folhetins no jornal carioca A Manhã e que tinha o subtítulo “romance americano do ano 2228".

"A história é narrada por Ayrton, funcionário da firma paulista Sá, Pato & Cia., que depois de um acidente de carro, é iniciado na revelação do futuro por Jane, filha do professor Benson, cuja invenção - o porviroscópio - lhe permite devassar o futuro. Jane, numa série de sessões domingueiras, revela ao espantado mas entusiasta Ayrton os episódios que envolvem a eleição do 88.° presidente norte-americano. Três candidatos disputam os votos: o negro Jim Roy, a feminista Evelyn Astor e o presidente Kerlog, candidato à reeleição. A cisão da sociedade branca em partido masculino e feminino possibilita a eleição do candidato negro. Perante o fato consumado, a raça branca engendra uma típica “solução final”: a esterilização dos indivíduos de raça negra, camuflada num processo de alisamento de cabelos.Paralelamente a esta narração, o romance focaliza o amor de Ayrton por Jane, e a missão literária do moço: escrever um romance daquilo que lhe narrava".

Essa maneira de Lobato armar a trama criando um primeiro presidente negro da história dos E.U.A que descobre que o mesmo processo de alisamento de cabelos que ele faz e que também patrocina para seus colegas, esteriliza as pessoas, é bem complicada. Exageros ficcionais lobatianos à parte, o livro fica muito curioso neste momento de eleições presidenciais nos EUA e diante da reviravolta mundial que estamos vivendo.

Na história de O Presidente Negro, de um lado, estão os milhões de eleitores negros, que apóiam Jim Roy, da Associação Negra. De outro, as mulheres brancas que seguem a candidata do Partido Feminino, miss Evelyn Astor. E, por fim, há os homens brancos, que preferem a reeleição de Kerlog pelo Partido Masculino, que fundiu o Democrata e o Republicano.É um choque de raças e uma guerra de sexos. "E os homens brancos, a fim de embranquecer os EUA, pregam enviar os negros para a Amazônia, que já não é parte do Brasil."

No livro, curiosamente Lobato fala que a imprensa de papel deixa de existir nos EUA, em 2228 e "as notícias são “radiadas” e aparecem imediatamente impressas “em caracteres luminosos num quadro mural existente em todas as casas”. É por essa época também, conforme o escritor, que as pessoas que lidam com rotinas burocráticas ou de natureza intelectual trabalham em suas próprias residências, de onde transmitem seus serviços ao escritório utilizando a “rádio-transporte”. Disse isso em 1926.

Não é mais ou menos isso que estou fazendo agora aqui neste blog?
Posto e aconselho a leitura do excelente artigo A figura do negro em Monteiro Lobato, da sempre lúcida amiga Marisa Lajolo.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Brasileirinho no teatro

Recebi um e-mail do Grupo Folclórico Raízes, convidando-me para assistir ao espetáculo montado por eles sobre o Brasileirinho-História de Amor do Brasil. Será no dia 21 de Novembro, às 21hs, no Teatro Municipal Pedro Angelo Camim, Mococa, São Paulo. Vou fazer o possível para comparecer.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Ne Me Quitte Pas

Sempre, sempre me emociono muito com esta canção de Jacques Brel, de 1959. Ele morreu em 1978. Postei duas interpretações irretocáveis. A dele e a de Patricia kaas & Mauranne em homenagem a ele.











Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
À savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
À coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Ne me quitte pas (x4)

Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas (x4)

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embrasser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas (x4)

On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quite pas (x4)

Ne me quite pas
Je ne veux plus pleurer
Je ne veux plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas (x4)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

III Feira do Livro de Sergipe - curiosa coincidência

Aconteceu uma coisa muito curiosa em Sergipe. Postei aqui no blog, no dia 24/10, uma afirmação do jornalista, crítico literário, filólogo, historiador, pintor, tradutor e membro da Academia Brasileira de Letras, o sergipano João Ribeiro (1860-1934), que coloquei em questão, sobre a palavra "Xará". Pois é, estava eu na Feira do Livro, quando esbarrei com a "sala do silêncio", que era o lugar onde João Ribeiro trabalhava. Fiquei parada um tempo enorme admirando-a. Reproduzo aqui o emocionado texto "9 mil dias com João Ribeiro" escrito por seu filho Joaquim Ribeiro.

Havia na casa antiga de Santa Tereza à beira da rua do Oriente, onde morávamos, uma sala algo quieta e misteriosa. Era a sala do silêncio. Meu pai quedava-se, aí, diante de uma mesa, em atitude hierática, rodeado de livros, escrevendo e como que esquecido de tudo.

As estantes escuras, riscadas de in-fólios davam um aspecto sombrio ao ambiente. Eu chegava, muita vez, na porta, olhava-o e sentia um temor inexplicável. Não gostava da biblioteca. Não adivinhava ainda que naqueles livros, aparentemente inexpressivos, palpitavam idéias.

Eu ia pedir um tostão para comprar bala, perdia a voz e saía escabriado. Havia qualquer coisa de religioso no silêncio, na atitude de meu pai, na tranqüilidade daquela sala indiferente. Se daí me veio a veneração, só comecei a admirá-lo quando descobri nele o prestidigitador das cores.

Joaquim Ribeiro

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Convido a todos

Amanhã estarei participando do Leitura em Debate, na Biblioteca Nacional. O tema será: Os autores de LIJ: escritores e ilustradores. Quem não puder comparecer à BN, pode assistir ao debate, em tempo real , pelo site http://www.institutoembratel.org.br/. Basta entrar no site, às 16hs, e clicar em TVPontocom.

III Feira do Livro de Sergipe: A palavra guarda o mundo

Acabei de chegar de Sergipe e já com saudades. Essa Feira do Livro, que é promovida pela "Nossa Escola", dirigida pelas grandes educadoras Aglacy Mary e Edmê Cristina, e que conta com o apoio da Secretaria de Cultura de Sergipe, é produto de uma vontade e de um amor enormes. Participei da II, e agora da III, e com imensa alegria pude ver o quanto está contaminando Aracajú da paixão pelo livro. É um trabalho lento de conquista quase corpo a corpo, leitor a leitor. Muitas coisas boas vivi por lá e fiz mais "amigos de infância". Posto algumas fotos e momentos muito agradáveis que passei lá.

Com Vicência (irmã do Paulo), Jessier Quirino (brilhante poeta e ator) e Paulo Schettino (premiadíssimo cineasta)

Depois vou falar aqui no blog do trabalho deles, que é fascinante. Encantador também foi ver por lá um grupo de alunos da "Nossa Escola", com roupas de época, representando os personagens de várias obras de Machado de Assis. Eles andavam no meio do público e suas falas eram exatamente as que o escritor colocava na boca de seus personagens. Abaixo a foto de uma de minhas amigas mais queridas em Sergipe: a Lorena/Capitu





Ensaiando a obliqüidade do olhar...


Divertida mesa com o Paulo

Amanhã conto mais.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Mil vivas ao Bartô!!!!

O nosso querido Bartolomeu Campos de Queirós acabou de ganhar o IV Prêmio Iberoamericano SM de Literatura Infantil e Juvenil, que lhe será entregue em dezembro próximo, durante a Feira do Livro de Guadalajara, no México. Somos só alegria.

Os cinco sentidos

Por meio dos sentidos
suspeitamos o mundo
Com os olhos nós olhamos a vida
...Olhar é fantasiar
sobre aquilo que
está escondido
atrás das coisas
...Com os ouvidos nós escutamos o silêncio


Bartolomeu Campos de Queirós

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Curiosidade lingüística sob o sol de Angola

Fiz esta foto em Angola a caminho da província de Bom Jesus

João Ribeiro, em A Língua nacional e outros estudos lingüísticos, afirma que a palavra tupi xará foi introduzida em Luanda pelos negros migrados do Brasil "e lá, conhecida sob a forma xalá, consentânea com a prosódia quimbundo" (sic). Cf. RIANI. A. Língua portuguesa/língua brasileira: atitudes e crenças de José de Alencar e Mário de Andrade.

Por ter estado em Luanda e ter feito alguns amigos que falam quimbundo, fiquei bastante curiosa e resolvi perguntar a um deles se existe essa palavra xalá, com o sentido de xará. Ele me informou que não. Em quimbundo existe xála e quer dizer "fica". O infinitivo do verbo ficar é kuxala. Xará, significando "homônimo", é soco die.

Alguma coisa mudou nesse caminho...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Prêmio Nobel de Literatura 2008

É esperar para ver o nome do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2008, que será divulgado no dia 9/10 pela Academia Sueca. Os candidatos mais prováveis, segundo a Ladbrokes, por ordem de apostas, são:

Claudio Magris (Itália, 1939)

Adonis (Síria, 1930; Líbano) – (poesia)

Amos Oz (Israel, 1939)

Joyce Carol Oates (EUA, 1939)

Philip Roth (EUA, 1933)

Don DeLillo (EUA, 1936)

Haruki Murakami (Japão, 1949)

Les Murray (Austrália, 1938) – (poesia)

Yves Bonnefoy (França, 1923) – (poesia e ensaio)

Inger Christensen (Dinamarca, 1935)

J.M.G. Le Clézio (França, 1940)

Michael Ondaatje (Sri Lanka, 1943; Canadá)

Thomas Pynchon (EUA, 1937)

sábado, 4 de outubro de 2008

Não é o Sarkosi!




Acho fantástico Le Petit Nicolas, esse personagem ingenuamente levadíssimo, criado por René Goscinny e fixado em traço por Jean-Jacques Sempé. De vez em quando releio suas aventuras. Para mim ele é "le chouchou des lecteurs". Quanto ao outro Nicolas, aussi petit, bien...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Nova ortografia - sugestão bibliográfica

Sugiro aqui três trabalhos que contribuirão para o domínio da nova ortografia.




quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil?

Fiquei de falar aqui no blog sobre o novo livro que organizei, O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil - com a palavra o ilustrador, Ed. DCL, do qual participam alguns dos nomes mais expressivos da ilustração no Brasil e em Portugal. Previsto para o ano passado, ele acabou ficando pronto este ano. Tivemos muitas dificuldades em relação a prazos de entrega dos artigos, principalmente por ser um trabalho que envolvia um grande número de ilustradores e imagens.

O livro, composto de artigos, depoimentos e imagens, conta com a presença de André Neves, Ângela Lago, Ana Rachel, Ana Terra, Ciça Fittipaldi, Cristina Biazetto, Gémeo Luis (Portugal), João Vaz (Portugal), Márcia Széliga, Marcelo Ribeiro, Marilda Castanha, Maurício Veneza, Nélson Cruz, Odilon Moraes, Regina Yolanda, Renato Alarcão, Ricardo Azevedo, Rosinha Campos, Rui de Oliveira, Thais Linhares e Teresa Lima (Portugal). A programação visual ficou a cargo de Ana Sofia. Para facilitar minha tarefa, que, como diria a amiga Alice Vieira, "cá as tenho e muitas", reproduzo a apresentação que fiz para o livro.


APRESENTAÇÃO


Iniciei, em 1993, na UFRJ, como parte de uma especialização em Literatura Infantil e Juvenil, uma pesquisa no campo da Análise Semiolingüística do Discurso, do teórico francês Patrick Charaudeau. Percebi então que o conceito de contrato de comunicação, por ele proposto, poderia fornecer fundamentação teórica para resolver um problema que sempre me intrigara: o de pesar sobre a Literatura Infantil e Juvenil a crença, de alguns, de que ela seria “menor” do que a produzida para adultos. Esses estudos resultaram numa tese de doutorado, defendida na USP em 2003, intitulada O contrato de comunicação da literatura infantil e juvenil 1, em que pude demonstrar o equívoco desse preconceito, que ignora a especificidade da qualidade estética dessa literatura.

Meu objetivo após a defesa era dar continuidade a essas reflexões sobre a questão da qualidade em Literatura Infantil e Juvenil, estendendo-a ao maior número possível de pessoas, numa linguagem simples, livre do estilo acadêmico exigido por uma tese, para que os professores do ensino fundamental e do médio, bem como o público em geral, pudessem ter acesso a elas sem dificuldades. Como escritora e como teórica, achei que o melhor caminho, além de produzir um artigo com essas características, seria dar voz a outros autores infanto-juvenis, para que pudessem, eles também, apresentar seus pontos de vista sobre o assunto. A partir, então, da pergunta “Que é qualidade em literatura infantil e juvenil?”, dirigida a consagrados escritores do Brasil e de Portugal, surgiu o livro O que é qualidade em literatura infantil e juvenil – com a palavra o escritor², que vem sendo objeto de consulta de muitos estudiosos.

Dando continuidade a esse projeto, apresento agora O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil – com a palavra o ilustrador, que traz de maneira enriquecedora ao leitor o universo da imagem no livro produzido para crianças e jovens, universo esse que, para os não iniciados, é aparentemente inacessível. De forma clara, didática e ao mesmo tempo profunda, os ilustradores trazem para o leitor, por meio dos artigos, depoimentos e imagens, seus conhecimentos teóricos e suas experiências, de maneira a fornecer um instrumento de pesquisa ao alcance de qualquer interessado no assunto.

Estão aqui reunidos pela primeira vez alguns dos nomes mais representativos da ilustração no livro infantil e juvenil do Brasil e de Portugal, que, em harmonia com os objetivos do projeto, demonstram, tanto quanto os escritores o fizeram, que a arte produzida para crianças e jovens não é “menor” que a produzida para adultos, e sim que é de outra natureza, com categorias próprias e um contrato de comunicação peculiar.

Nisso consiste o espírito deste trabalho: contribuir para que se alije de vez da produção artística para crianças e jovens qualquer vestígio de preconceito resultante da falta de informação.

O livro é dividido em duas partes: uma de artigos, organizados numa seqüência que facilita a compreensão e a visão de conjunto dos temas tratados, outra de depoimentos, em que os ilustradores respondem à pergunta: “Que é qualidade em ilustração no livro para crianças e jovens?” Artigos e depoimentos são seguidos de imagens produzidas pelos autores. Há ainda um depoimento da programadora visual do livro, esclarecendo como foi o processo de idealização do projeto gráfico.

Desejo sinceramente que este trabalho reflita o sentimento de todos os envolvidos, que é o de ser útil aos que a ele tenham acesso.

Ieda de Oliveira


1- O contrato de comunicação da literatura infantil e juvenil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008 (publicado inicialmente, em 2003, pela Ed.Lucerna).
2- O que é qualidade em literatura infantil e juvenil – com a palavra a palavra o escritor. São Paulo: DCL: 2005.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O que penso sobre o acordo ortográfico

Deus deu a palavra ao homem
e ao diabo, a ortografia.
Por isso eles se comem
nessa ortoantropofagia
.”

Acho que esses versos de Manuel Bandeira ironizando as freqüentes alterações ortográficas definem de forma modelar as inquietações geradas pelas mudanças na escrita.
Em 1911 Portugal adotou a chamada ortografia simplificada, que consistia em abolir o ph, y, as consoantes dobradas que não fossem ss, rr, cc, bem como dígrafos do tipo rh, th, ch com valor de /k/, etc.

O Brasil aderiu a essa reforma em 1916, mas recuou em seguida, ficando oscilante entre o sistema “simplificado” e o etimológico até a década de 40, quando houve um acordo ortográfico luso-brasileiro em 1943 e outro em 1945, tendo ficado Portugal com este último e o Brasil, surrealisticamente, com o de 1943. Foram acordos ou desacordos, afinal de contas?

Na verdade, fizeram-se em 1945 algumas alterações que Portugal achou necessárias, entre elas eliminar o acento diferencial de timbre, que no Brasil só foi abolido em 1971. Mesmo depois de 1971, porém, restaram ainda diferenças entre a ortografia brasileira e a portuguesa, arestas que a atual reforma pretende aparar em nome da unidade ortográfica das oito nações de língua portuguesa. Por exemplo: em Portugal e nas ex-colônias se escreve camião, facto, húmido, director etc.

O que ocorreu foi que, a partir da década de 70, as ex-colônias portuguesas foram ficando independentes e a língua, que era de duas nações, passou a ser de oito, uma delas (o Brasil) com a ortografia de 1943, ligeiramente alterada em 1971, e os outros sete (Portugal e ex-colônias) com a de 1945.

Nesse sentido, a reforma é benéfica, na medida em que contribui para a unidade da língua, bem como facilita a médio e longo prazo o comércio de livros entre os países lusófonos, embora a curto prazo se pague um preço, na fase de transição, no sentido de que tenderá a haver inevitáveis encalhes. As editoras têm um prazo até 2010 para atualizar a ortografia nos livros, mas penso que o que irá reger esse prazo será a lei do mercado.

Eu, como podem constatar, ainda estou na antiga... por enquanto. E, cá para nós, acho que quem tem razão é o Klinger, quando diz que ortografia é um nome equivocado para designar qualquer sistema gráfico em que não haja “casamento monogâmico e indissolúvel entre fonemas e letras”, já que orthos em grego significa “correto” e correto é tudo o que a nossa “tortografia” – reformada ou não – não é.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Hoje, na Academia Brasileira de Letras, o presidente Lula assina os decretos de promulgação do Acordo Ortográfico dos Países de Língua Portuguesa. Em 2007, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe ratificaram o protocolo, de meados dos anos 90, aprovado em maio deste ano pelo Parlamento português. Deixo aqui, para uma consulta rápida, como ficou o acordo.




NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA



Alfabeto
Nova regra : O alfabeto é agora formado por 26 letras

Regra antiga: O 'k', 'w' e 'y' não eram consideradas letras do nosso alfabeto.
Como será: Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano


Trema
Nova regra: Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano

Regra antiga: Agüentar, conseqüência, cinqüenta, qüinqüênio, frqüência, freqüente, eloqüência, eloqüente, argüição, delinqüir, pingüim, tranqüilo, lingüiça
Como será: aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça.


Acentuação
Nova regra:Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas

Regra antiga: Assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico
Como será: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico

Obs: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
Obs2: o acento no ditongo aberto 'eu' continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.


Nova Regra: O hiato 'oo' não é mais acentuado
Regra Antiga: enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo
Como Será: enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo


O hiato 'ee' não é mais acentuado

Regra antiga: crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem
Regra nova: creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem

Nova Regra: Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas
Regra Antiga: Pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo), péra (substantivo), pólo (substantivo)
Como Será: para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo)


Obs: o acento diferencial ainda permanece no verbo 'poder' (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - 'pôde') e no verbo 'pôr' para diferenciar da preposição 'por'


Nova regra: Não se acentua mais a letra 'u' nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de 'g' ou 'q' e antes de 'e' ou 'i' (gue, que, gui, qui)
Regra antiga: argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe
Como será: argui, apazigue,averigue, enxague, ensaguemos, oblique

Nova Regra:Não se acentua mais 'i' e 'u' tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo
Regra antiga: baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme
Como será: baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume

Hífen
Nova Regra: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por 'r' ou 's', sendo que essas devem ser dobradas

Regra Antiga: ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidade, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal, supra-sensível
Como Será: antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível


obs: em prefixos terminados por 'r', permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.


Nova Regra: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal

Regra Antiga: auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular, ultra-elevado
Como Será: autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.


Obs: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.


Obs2: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por 'h': anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.


Nova regra: Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.
Regra antiga: antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista, arquiinimigo, arquiirmandade, microondas, microônibus, microorgânico

Como será: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico


Obs: esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen


Obs2: uma exceção é o prefixo 'co'. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal 'o', NÃO se utiliza hífen.


Nova regra: Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição
Regra antiga: manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque, pára-vento
Como será: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, pára-choque, paravento


Obs: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.


Observações Gerais
O uso do hífen permanece:

1- Em palavras formadas por prefixos 'ex', 'vice', 'soto'
Exemplos: ex-marido, vice-presidente, soto-mestre
2- Em palavras formadas por prefixos 'circum' e 'pan' + palavras iniciadas em vogal, M ou N
Exemplos: pan-americano, circum-navegação
3- Em palavras formadas com prefixos 'pré', 'pró' e 'pós' + palavras que tem significado próprio
Exemplos: pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação
4- Em palavras formadas pelas palavras 'além', 'aquém', 'recém', 'sem'
Exemplos: além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto

Não existe mais hífen:Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais)
Exemplos: cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc.


Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa

domingo, 28 de setembro de 2008

ORKUT e eu

Pois é, não faço parte, mas faço parte do ORKUT. Minha filha criou a comunidade Ieda de Oliveira. É um local de troca de informações e idéias sobre o trabalho que faço. Quem desejar participar, seja benvindo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Saindo do forno, depois explico

Acaba de ficar pronto o nosso novo livro O que é qualidade em ilustração - com a palavra o ilustrador, Ed. DCL, que dá continuidade à pesquisa apresentada em minha tese de doutorado, O Contrato de Comunicação da Literatura Infantil e Juvenil, Ed. Nova Fronteira, e que já resultou no outro livro O que é qualidade em literatura infantil e juvenil - com a palavra o escritor, Ed. DCL. Depois explico esse trabalho em mais detalhes.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O Jabuti e meu querido Bartô

"Algum dia dividiremos a liberdade em fatias e nos amaremos - sem fome- em absurda alvorada"

Todos nós, autores e amigos do querido Bartolomeu Campos de Queirós, estamos felizes e tristes. Felizes, pelo justíssimo Prêmio Jabuti de Lit. Infantil 2008, por seu Sei por ouvir dizer, e tristes, por ele estar doente. Gostaria de pedir a todos os leitores de nosso blog que residam em Belo Horizonte que doem sangue, que pode ser de qualquer tipo, para nosso poeta. Basta que se dirijam ao Hospital Life Center, onde ele está internado.

Hemoservice: Rua Ceará, 195, Bairro Santa Efigênia, em frente à Maternidade Otaviano Neves.
Tel.: (31) 3241-1130
Dias e horários para doação: de 2ª à 6ª feira e sábado

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Para quem estiver em Paris

Quem estiver em Paris não deve deixar de assistir aos shows da minha amiga e parceira Anna Torres. Além da direção, é dela a belíssima voz no CD que acompanha o meu livro Brasileirinho-História de Amor do Brasil, Ed. DCL. Em Paris há seis anos, Anna tem feito grande sucesso por lá. Sempre que posso, marco presença em seus shows.

Em outubro, ela estará lançando seu novo CD, "Água", que conta com as participações de: Pierre Barouh (ganhador da Palma de Ouro do festival de Cannes com o filme "Un homme et une femme"), os rappers Pyrroman, o DJ Jazz Amar e Vicelow do famoso grupo francês Saien Supa Crew. Há ainda as participações especiais como o coral da Tribo Indígena Guarani Tenondêporan, o grande trombonista paulista Bocato e o guitarista Marcinho Eiras. O dia e o endereço estão abaixo.


VENDREDI 24 OCTOBRE
PALAIS MAILLOT
Guest: Pierre Barouh, Vicelow (Ex-Saïan Supa Crew), Alex Lima et Pyroman
Dj’s JustKott et Philippe Coste Palais des Congrès 2, Place de la porte Maillot Paris 17éme
22h00

domingo, 21 de setembro de 2008

Livros que recomendo

Propostas diferentes, estilos e objetivos diferentes, mas todos de excelente qualidade.
Estes livros recomendo:
Os japoneses - Célia Sakurai;
A filha do escritor - Gustavo Bernardo;
História de Mulheres - Rosa Montero;
O filho eterno - Cristóvão Tezza;
Rakushisha - Adriana Lisboa;
O código d'Avintes - Alice Vieira, José Jorge Letria, João Aguiar, José Fanha, Luisa Beltrão, Mario Zambujal e Rosa Lobato (cuidado para não confundir com o livro do Dan Brown).






segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ainda Charqueadas

Recebi, em Charqueadas, este carinhoso cartão feito pelas crianças da escola Thietro Antônio Pires. Na frente está escrito: Nós somos a soma de tudo, em referência ao verso inicial do poema de abertura do livro Brasileirinho-História de Amor do Brasil. Uma graça de homenagem que muito me comoveu.

sábado, 23 de agosto de 2008

Porto Alegre e Charqueadas

Acabei de chegar de Porto Alegre e de Charqueadas. Uma experiência "trilegal". Posto aqui algumas fotos e vídeos de alguns momentos que passei lá, em companhia de pessoas muito queridas.


Encontro com professores no Espaço Aprende Brasil Sul em Porto Alegre



Espaço Aprende Brasil Sul


Autografando livros em Charqueadas

Autografando o abraço


Grupo de alunos com um chapeuzinho feito por eles, em jornal, onde pintaram uma bandeira de cada país em homenagem ao meu livro Brasileirinho-História de Amor do Brasil




Com a equipe de professores que me recebeu em Charqueadas



Com as crianças que podem ser vistas dançando lindamente no vídeo abaixo


Vídeos de minha chegada e da dança folclórica apresentada pelas crianças de Charqueadas







segunda-feira, 18 de agosto de 2008

De volta ao Rio Grande do Sul

Há seis anos sou convidada a participar da Feira do Livro de Porto Alegre. Adoro. O trabalho que é feito pela Câmara Rio-Grandense do Livro, através dos programas de leitura, é fantástico. Um deles, e que me emociona sempre demais, é o " Adote" (A escola adota o escritor). Só boas lembranças. Essa foto foi feita lá no ano passado . Este ano estarei novamente em novembro. Agora recebi deles este novo convite e é a primeira vez que irei participar da Feira do Livro de Charqueadas. Tenho certeza que será uma experiência excelente.
Estarei embarcando na quarta-feira para cumprir a seguinte agenda:
Dia 21 - Encontro com alunos do ensino médio de colégios estaduais na Feira do Livro de Charqueadas
Dia 22 - Encontro com professores, bibliotecários e coordenadores de ensino no Espaço Aprende Brasil.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Lançamento na Bienal de São Paulo - convite

No dia 17 de agosto, às 15h, estarei na Bienal Internacional do Livro de São Paulo lançando meu novo livro O Sapo e o Pássaro, pela Ed. Larousse.
Na minha história o personagem principal é um Tsuru. Na hora do lançamento haverá uma oficina de origami onde as crianças aprenderão a fazer dobraduras do pássaro sagrado.
Estão todos convidados.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Férias!

Estou de férias!
Férias! Adoro essa palavra!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Mangás e animes


Para quem não conhece, o mangá ou manga é a palavra usada para designar as histórias em quadrinhos japonesas e o seu estilo próprio de desenho. No Japão designa quaisquer histórias em quadrinhos. Já anime, por vezes escrito animé ou animê, é o nome dado à animação japonesa. A palavra anime tem significados diferentes para os japoneses e para os ocidentais. Para os japoneses, anime é todo desenho animado, seja ele estrangeiro ou nacional. Para os ocidentais, anime é todo o desenho animado que venha do Japão.
O interessante no mangá e no anime é o caráter humano dos personagens que passam por dificuldades, como qualquer um de nós, e que cultivam valores como honra, dignidade e amizade. Acredito que isso é o que os torna irresistíveis. Postei algumas informações e um vídeo com uma interessante reportagem sobre mangás e animes feita pelo Jornal da Globo.

Breve histórico:

"Os mangás têm suas raízes no período Nara (século VIII d.C.) com a aparição dos primeiros rolos de pinturas japonesas: os emakimono. Eles associavam pinturas e textos que juntos contavam uma história à medida que eram desenrolados. O primeiro desses emakimono, o Ingá Kyô, é a cópia de uma obra chinesa e separa nitidamente o texto da pintura.
A partir da metade do século XII, surgem os primeiros emakimono com estilo japonês, do qual o Genji monogatari emaki é o representante mais antigo conservado, sendo o mais famoso o Chojugiga, atribuído ao bonzo Kakuyu Toba. O Chojugiga está guardado no templo de Kozangi em Kioto. Nesses últimos surgem, diversas vezes, textos explicativos após longas cenas de pintura. Essa prevalência da imagem assegurando sozinha a narração é hoje uma das características mais importantes dos mangás.

No período Edo, em que os rolos são substituídos por livros, as estampas eram inicialmente destinadas à ilustração de romances e poesias, mas rapidamente surgem livros para ver em oposição aos livros para ler, antes do nascimento da estampa independente com uma única ilustração: o ukiyo-e no século XVI. É, aliás, Katsushika Hokusai o precursor da estampa de paisagens, nomeando suas célebres caricaturas publicadas de 1814 à 1834 em Nagoya, cria a palavra mangá — significando "desenhos irresponsáveis"

Os mangás não tinham no entanto sua forma atual que surge no início do século XX sob influência de revistas comerciais ocidentais, provenientes dos Estados Unidos. Tanto que chegaram a ser conhecidos como Ponchi-e (abreviação de Punch-picture) como a revista britânica, origem do nome, Punch Magazine (Revista Punch), os jornais traziam humor e sátiras sociais e políticas em curtas tiras de um ou quatro quadros. Diversas séries comparáveis as de além-mar surgem nos jornais japoneses: Norakuro Joutouhei (Primeiro Soldado Norakuro) uma série antimilitarista de Tagawa Suiho, e Boken Dankichi (As aventuras de Dankichi) de Shimada Keizo são as mais populares até a metade dos anos quarenta quando toda a imprensa foi submetida à censura do governo, assim como todas as atividades culturais e artísticas. Entretanto, o governo japonês não hesitou em utilizar os quadrinhos para fins de propaganda”. Informações captadas na wikipédia


Vídeo: Mangás, Animes e Cosplays